Morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos, Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, uma das mais importantes militantes feministas e de direitos humanos do Brasil .
Ontem (15), foi um dia de muita tristeza e belas homenagens a uma das mulheres que ajudou a escrever a história dos movimentos de mulheres em Brasil.
Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, nasceu em Contagem (MG) e iniciou sua trajetória política ainda na juventude, filiando-se ao Partido Comunista do Brasil . Sua atuação contra a ditadura militar a levou à prisão em dezembro de 1972, quando foi torturada no DOI-Codi sob o comando do major Carlos Alberto Brilhante Ustra . Seus dois filhos, então com 4 e 5 anos, foram sequestrados e obrigados a presenciar as torturas sofridas pelos pais .
Feminismo e a construção das Promotoras Legais Populares
Após a ditadura, Amelinha dedicou-se à organização do movimento feminista. Em 1981, ajudou a fundar a União de Mulheres de São Paulo. Participou do jornal Brasil Mulher e do Lobby do Batom, que garantiu a inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição de 1988 . Na década de 1990, idealizou o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), iniciativa de formação jurídica para mulheres de comunidades, ensinando noções básicas de Direito, direitos humanos e acesso à Justiça . As PLPs se expandiram por diversos municípios brasileiros e se tornaram referência na educação popular de mulheres . Em 1993, publicou o livro “Uma Breve História do Feminismo no Brasil”, que se tornou referência para os estudos no país.
A luta das bancárias e a relevância das PLPs
O legado de Amelinha Teles dialoga diretamente com a luta do movimento sindical bancário e, particularmente, das dirigentes sindicais que atuam neste movimento. Assim como as PLPs capacitam mulheres para conhecer e defender seus direitos, a categoria bancária há décadas luta por igualdade de oportunidades, combate ao assédio e valorização profissional. A primeira reunião das PLPs em Jundiaí, aconteceu aqui no sindicato dos bancários, que continua abrindo suas portas para o movimento.
A atuação de Amelinha na Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” também inspirou gerações de mulheres a não se calarem diante das injustiças .
Amelinha Teles deixa um legado de coragem e compromisso com a justiça social. Sua trajetória nos ensina que organizar mulheres é tarefa política e que a memória é instrumento de resistência. Como ela mesma dizia, “um povo que não conhece sua história está fadado ao fracasso” . Que sua luta siga viva em cada mulher que se levanta.
Amelinha, presente!
Confira o vídeo gravado pelo sindicato em 2025, por ocasião do mês das mulheres, quando foram apresentadas “Mulheres que Inspiram”, dentre as quais, Amelinha Teles.