Após muitos meses, de intenso trabalho e mobilização, da consulta nacional às assembleias, passando por negociações difíceis com a Fenaban, concluímos agora uma grande etapa de nossa Campanha Nacional Unificada com a aprovação da proposta pelos trabalhadores e trabalhadoras dos bancos privados e do Banco do Brasil. Na Caixa, a proposta foi rejeitada e a campanha continua.
Uma campanha de resistência
Desde o início das negociações, há quase dois meses, percebemos que os bancos não abaixariam a guarda. Tentaram de muitas maneiras dividir a categoria, tentaram acabar com a mesa única, atacaram direitos consolidados, como a PLR, VA e VR e retardaram ao máximo a apresentação de propostas econômicas. A paralisação do dia 20 contribuiu para destravarmos as negociações e, mesmo assim, as primeiras propostas foram classificadas por “indecentes” e rejeitadas na mesa. Após duros embates, conseguimos presentar todos os direitos e um aumento da reposição da inflação +0,6% em todos os rendimentos, por dois anos consecutivos.
“De fato, os bancos sentiram-se seguros para avançar contra nossos direitos, mas o Comando Nacional e a categoria respondeu à altura”, destacou Letícia Mariano, presidenta do sindicato. “Em meio a tantos desafios, a unidade da categoria foi preservada, o que é fundamental para frearmos o avanço dos bancos sobre os nossos direitos. Agora, como sempre, cada banco precisa prosseguir na luta por questões específicas. E estamos juntos nessa luta”.
A proposta da Fenaban
A preservação de nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) deve ser considerado como um avanço, dada a correlação de forças cada vez mais desigual entre bancários e banqueiros. “Nunca é demais lembrar que 85% das cláusulas de nossa convenção proporcionam direitos acima da CLT, sendo que alguns nem tem previsão na lei”, destacou Letícia.
A proposta foi aprovada por 74,16% dos votantes. 21,91% votou pela rejeição e um pequeno percentual se absteve.
Além da reposição da inflação + 0,6% em 2026 e também em 2027, obtivemos avanços nas seguintes áreas:
– Saúde mental: Participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, da nova Norma Regulamentadora nº 1 (RN-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria.
– Combate ao assédio: O banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual (e conquistado da Campanha Nacional de 2024) para receber também denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários.
– Monitoramento digital: Transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito à feedback e gestão humana, com o objetivo da gestão ética da tecnologia, para proteção aos bancários.
– Direito à desconexão: Para que bancários e bancárias tenho seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja de clientes, seja de gestores.
– Programa de indenização, qualificação e recolocação no mercado de trabalho: Com medidas de apoio para bancários demitidos devido ao fechamento de agências.
“Alcançar essas propostas é um passo importante. Mas a luta contra o fechamento de agências, contra o assédio, as metas abusivas e tudo que fere nossa dignidade no trabalho é contínua”, lembrou Letícia.
Banco do Brasil
O resultado da negociação com o Banco do Brasil também foi aprovado pela maioria de nossa base. Dentre os principais destaques, estão:
- Abono ausência no dia 31 de dezembro de 2026;
- Ressarcimento dos custos para funcionários aprovados nas certificações da Anbima e abono de até 5 dias para que realizem as certificações;
- Ampliação da licença-paternidade dos atuais 20 para 35 dias, para pais de filhos nascidos a partir de 30 dias após a assinatura do ACT;
Elevação do auxílio para filhos com deficiência; - Ampliação do afastamento para acompanhamento em casos de união estável;
Reajuste para atendentes da central de relacionamento e aumento do número de vagas.
A proposta foi aprovada por 63,89% dos votantes e 35% rejeitaram a proposta.
Caixa Econômica Federal
A negociação com a Caixa se mostrou ainda mais difícil e os empregados e empregadas demonstraram seu descontentamento rejeitando a proposta apresentada pelo banco público e aprovando um indicativo para que as negociações continuem. Dentre os pontos mais controversos está a sustentabilidade do Saúde Caixa e o aumento da participação dos trabalhadores e dependentes no plano.
A proposta foi rejeitada por 81,23% dos votantes e 17,75% votaram pela aprovação. Com a rejeição, a base também decidiu sobre os próximos passos: 53,24% votaram pela aprovação do pedido de reabertura da negociação. 42,66% votou pela deflagração de greve por tempo indeterminado.
A votação na Caixa foi marcada por pressão da diretoria da empresa pela aprovação da proposta e o sindicato manifesta seu repúdio a essa atitude e a qualquer tipo de assédio contra a livre expressão dos trabalhadores e trabalhadoras.
“Agora vamos avaliar o cenário local e nacional e traçar estratégias para a ação. Os empregados da Caixa devem se manter mobilizados e atentos aos próximos passos”, afirmou Letícia.
Unidade
“A assembleia contou com a participação expressiva de nossa base. Associados e associadas expressaram sua decisão, conforme a realidade vivida em cada banco. Em meio a tanta diversidade, um dos resultados significativos é a unidade, pois apenas unidos conseguiremos resistir e avançar”, concluiu Letícia: “Agradecemos a todos que participaram. Seguimos juntos na luta!”.
Nos próximos dias compartilharemos informações sobre a assinatura dos acordos, PLRs e tudo mais!