Banco propõe novo modelo de custeio do plano; CEE garante GT para discutir PFG, PCS, PSI e remuneração variável, além de agenda específica para Figital e Genesys; propostas serão levadas para aprovação em assembleias em todo o país
A Caixa Econômica Federal apresentou, neste sábado (29), em São Paulo, o que classificou como sua proposta final para o Saúde Caixa. O tema concentrou boa parte da décima rodada de negociações específicas entre o banco e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, dentro da Campanha Nacional dos Bancários 2026. A proposta será levada ao Comando Nacional dos Bancários às assembleias que serão realizadas em todo o país de quinta (3) a sexta-feira (4).
Além do Saúde Caixa, houve encaminhamentos importantes para a criação de um grupo de trabalho que discutirá PFG, PCS, Processos Seletivos Internos (PSIs) e remuneração variável, incluindo o Super Caixa. A CEE cobrou que os trabalhos comecem o quanto antes, logo após a conclusão da campanha, com calendário intensificado de reuniões. Também serão ampliadas as agendas da mesa permanente de negociação e realizadas reuniões específicas para discutir os modelos Figital e Genesys.
“A proposta apresentada traz mudanças importantes, mas também traz avanços em relação às duas últimas que a Caixa tinha colocado na mesa. É importante que cada empregado e empregada conheça a proposta e todos os seus detalhes. A negociação não termina no plano de saúde: temos uma pauta ampla, construída pelos empregados e aprovada no 41º Conecef, que discutimos durante as negociações e vamos definir a redação final de algumas cláusulas na segunda-feira (31)”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
Como fica a proposta do Saúde Caixa
O modelo apresentado pela Caixa modifica a forma de cobrança em relação ao acordo atual. Segundo a proposta, para os empregados da ativa a contribuição passa a variar de acordo com a idade do titular e de cada dependente:

Para os aposentados e pensionistas, a contribuição do titular passaria de 3,5% para 4,5% da remuneração-base, enquanto a mensalidade por dependente passaria dos atuais R$ 480 para R$ 660. O teto de comprometimento da renda do grupo familiar subiria de 7% para 9%. A proposta mantém as 13 mensalidades anuais.
Os dependentes indiretos (entre eles filhos de 21 a 27 anos) ficam fora do teto familiar. Deixa de haver a diferenciação que havia entre 21 a 24 e de 24 a 27 anos. Todos os usuários terão piso de R$ 50. A tabela e as demais regras constam da apresentação feita pelo banco durante a reunião.
Para estimular o uso da telemedicina, que gera menos custos para o plano, esse tipo de consulta passa a ser isento de coparticipação. Internações e tratamentos oncológicos também seguem isentos de coparticipação. O valor da consulta em pronto-socorro subiria dos atuais R$ 75 para R$ 150, e o limite anual por grupo familiar passaria de R$ 3.600 para R$ 4.800.
A proposta prevê ainda recadastramento anual dos titulares e grupos familiares e abertura de um prazo de 90 dias para adesão de titulares que atualmente estejam fora do Saúde Caixa. Encerrado esse período, quem cancelar sua adesão não poderá voltar ao plano. A regra é mais restritiva que a vigente, que permite nova inscrição após dois anos de ausência, mediante cumprimento das condições previstas no ACT. Segundo a Caixa a intenção seria proteger a sustentabilidade e o mutualismo do plano.
Caixa fala em ampliar teto em 2027
A Caixa informou que as medidas propostas para os usuários representam aproximadamente R$ 190 milhões adicionais em 2026, enquanto o banco afirmou que colocará cerca de R$ 543 milhões para ajudar no equacionamento do resultado do plano neste ano, inclusive por meio de medidas extraordinárias.
O banco também declarou que pretende iniciar, após o período de restrições eleitorais, os procedimentos internos e externos necessários para ampliar, em 2027, o atual teto de 6,5% da folha de pagamento e proventos que limita sua participação no Saúde Caixa.
A título de exemplo, segundo estimativas apresentadas pela Caixa, o aumento do teto de 6,5% para 8%, proporcionaria um aumento da participação da Caixa de aproximadamente R$ 600 milhões.
Outro tema colocado pelo banco foi o estudo de mudanças estruturais no Saúde Caixa, inclusive a possibilidade de constituição de CNPJ próprio e busca de novas fontes de receita. A CEE lembrou que o acordo em vigência já estabelece que alterações estruturantes devem ser debatidas com a representação dos empregados e exigiu que qualquer estudo seja submetido à mesa de negociação antes da implementação.
GT vai discutir remuneração variável, PFG, PCS e PSI
Outro avanço da reunião foi o acerto para a criação de um único GT para tratar de remuneração variável, PFG, PCS e PSI. A CEE havia defendido dois grupos distintos, um para trajetória profissional e outro para remuneração variável, mas aceitou a concentração dos quatro temas, desde que seja construído um calendário mais intenso, com início dos trabalhos logo após a conclusão da campanha e ainda em 2026.
Na remuneração variável, a pauta dos empregados inclui a revisão integral do Super Caixa, negociação prévia das regras, transparência dos critérios e adoção do princípio “vendeu, recebeu”, além de tratamento isonômico entre rede, centralizadoras e matriz. A minuta também reivindica negociação do Bônus Caixa e dos demais programas que interfiram na remuneração.
“GT não pode ser sinônimo de empurrar o problema para depois. São quatro assuntos que interferem diretamente na carreira e na renda das pessoas. Por isso, aceitamos o grupo único, mas cobramos um calendário forte, com reuniões frequentes e capacidade de produzir soluções. A mesa permanente também precisa funcionar de forma mais intensa”, afirmou a representante da Fetrafi/NE, Cândida Fernandes (Chay).
Figital e Genesys
A Caixa também propôs uma reunião específica com as áreas responsáveis pelos modelos Figital e Genesys. No caso do Genesys, o banco se comprometeu a suspender até 31 de dezembro a penalização no Alcance.Caixa decorrente do transbordo do atendimento e ampliar de cinco para dez minutos o prazo antes do transbordo. Mesmo depois dos dez minutos, a unidade não será penalizada pelo indicador durante o período de suspensão.
A CEE quer aproveitar a agenda para discutir o próprio desenho dos modelos, inclusive o atendimento simultâneo presencial e digital, a sobrecarga e os impactos sobre a organização do trabalho.
“A suspensão da penalização é necessária, mas o problema não termina no indicador. Precisamos discutir como Figital e Genesys estão organizando o trabalho, especialmente a obrigação de conciliar atendimento presencial e digital e a pressão decorrente dos prazos. A tecnologia tem que facilitar o trabalho, e não criar uma nova fonte de sobrecarga”, afirmou o representante da Fetec-CUT/SP, Hugo Saraiva.
Licenças de saúde e abono
Em relação ao adiantamento salarial nos afastamentos por licença de saúde, a Caixa propôs que, quando o benefício for inicialmente indeferido pelo INSS, a cobrança para devolução do adiantamento não seja iniciada enquanto houver possibilidade de recurso. Somente após decisão definitiva começaria o procedimento de devolução.
A empresa também propôs tornar facultativo o recebimento do adiantamento. A CEE defendeu a lógica inversa: manter o pagamento automático, como ocorre hoje, e permitir que o trabalhador manifeste sua opção por não receber, evitando que alguém afastado por doença tenha de realizar procedimentos adicionais justamente em momento de maior vulnerabilidade.
“Precisamos evitar qualquer possibilidade de o empregado cair em um novo limbo previdenciário ou sofrer desconto enquanto ainda discute seu direito no INSS. A proteção da renda durante o afastamento precisa ser o ponto de partida da regra”, afirmou o representante da Federa-RJ, Rogério Campanate, que também cobrou ajustes nos procedimentos relacionados aos afastamentos e recursos ao INSS.
A Caixa trouxe como proposta a possibilidade de converter dez dias de férias em abono pecuniário, independente do período de descanso. A CEE cobrou ainda que a paralisação do dia 20, que será abonada, não interrompa contagens funcionais relacionadas a substituições por prazo, exercício de funções e demais efeitos que possam gerar prejuízo posterior aos empregados.
CEE posicionamento final da Caixa
Ao longo das rodadas, a Caixa apresentou propostas sobre Promoção por Mérito, Saúde Caixa, pessoas com deficiência, monitoramento de metas, atendimento digital, carreira e outras condições de trabalho. Em alguns pontos houve avanços, como a retirada do Alcance. Caixa dos critérios da Promoção por Mérito, a previsão de pagamento dos deltas em janeiro e a suspensão do processo de migração das funções de caixas e tesoureiros para negociação com a representação dos empregados. Em outros, especialmente no Saúde Caixa, permanecem divergências importantes.
“Conseguimos abrir caminhos importantes para continuar negociando carreira, remuneração variável e condições de trabalho. Mas as assembleias precisam avaliar com atenção todos os pontos que serão levados para as assembleias”, concluiu Luiza Hansen.