Projeto de lei do deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT) busca impedir o fechamento indiscriminado de agências no Estado. Sindicato dos Bancários acompanhou a votação e destaca amplo apoio à pauta
A Câmara Municipal de Jundiaí aprovou por unanimidade, na noite de terça-feira (4), a Moção de Apoio ao Projeto de Lei nº 548/2026, de autoria do deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT), que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A proposta busca impedir o fechamento indiscriminado de agências bancárias e garantir atendimento presencial à população.
A moção foi apresentada pelo vereador Henrique Parra Parra (Cardume/Psol) e recebeu votos favoráveis de todos os vereadores presentes, evidenciando um consenso em torno da importância da manutenção das agências físicas e da preservação do atendimento presencial.
O Projeto de Lei estabelece que os bancos que mantêm contratos com o poder público paulista para administração da folha de pagamento dos servidores, arrecadação de tributos, empréstimos consignados e programas financeiros mantenham níveis mínimos de emprego no Estado, tomando como referência a média de trabalhadores dos últimos anos. Também determina que haja atendimento presencial em todos os municípios paulistas.
A votação foi acompanhada por dirigentes do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região e lideranças da região que comemoraram a aprovação da moção.
Vitória da categoria
Para a presidenta do Sindicato, Letícia Mariano, o resultado demonstra que a defesa do atendimento presencial ultrapassa diferenças partidárias.
“Ver vereadores de diferentes posições políticas defendendo essa pauta mostra que ela é uma necessidade da população. Todos foram unânimes em reconhecer a importância das agências bancárias presenciais. Essa também é uma das principais bandeiras da Campanha Nacional dos Bancários. A aprovação da moção representa uma vitória para toda a categoria e para os usuários dos serviços bancários.”
Douglas Yamagata, diretor do Sindicato dos Bancários e coordenador da subsede da CUT em Jundiaí, afirmou que o projeto busca garantir um número mínimo de agências bancárias nos municípios. “Já existem cidades sem nenhuma agência para atender a população. Essa realidade penaliza principalmente as pessoas idosas, que muitas vezes dependem do atendimento presencial para acessar serviços bancários e resolver problemas que não conseguem solucionar pelos canais digitais.”
Direito de escolha
Autor da moção, o vereador Henrique Parra Parra destacou que o projeto utiliza o próprio poder de contratação do Estado para preservar o atendimento à população.
“Esse é um projeto inteligente que também lembra que o poder público movimenta sua folha de pagamento e diversos serviços por meio das instituições financeiras. É justo exigir que essas instituições mantenham pelo menos uma agência em cada município. Apesar do avanço dos serviços digitais, muita gente ainda depende do atendimento presencial, especialmente idosos e pessoas com dificuldade de acesso à tecnologia. Essa é uma proposta construída pelo deputado Luiz Claudio Marcolino e os sindicatos de bancários, diante da realidade do fechamento de agências, inclusive em bairros com grande população idosa em nossa região.”
A vereadora Mariana Janeiro (PT) afirmou que o fechamento das agências afeta tanto a população quanto os trabalhadores do setor financeiro.
“Além de excluir os segmentos mais vulneráveis, esse processo representa um desmonte da carreira bancária. Portanto, o projeto também protege os empregos da categoria. Vivemos uma revolução tecnológica, mas acredito que a sociedade ainda irá rever essa relação de dependência das telas e valorizar o atendimento humano.”
Apoio suprapartidário
A votação reuniu apoio de vereadores de diferentes partidos, entre eles parlamentares do PL, PSD e Republicanos, que ressaltaram os prejuízos provocados pelo fechamento das agências bancárias para a população e reconheceram a trajetória do Sindicato na defesa dos trabalhadores e de pautas de interesse coletivo.
Madson Henrique (PL) defendeu a manutenção de um número mínimo de agências para garantir atendimento à população, especialmente aos idosos. Quézia de Lucca (PL), ex-bancária, ressaltou a importância do atendimento presencial e da relação de confiança entre clientes e bancários.
Carla Basílio (PSD) alertou para o aumento dos golpes virtuais e destacou que as agências continuam essenciais. Já Zé Dias (Republicanos) afirmou que o fechamento das unidades prejudica clientes e trabalhadores, além de reconhecer a atuação do Sindicato dos Bancários na defesa da categoria.
Sociedade mobilizada
A proposta de Luiz Claudio Marcolino ganhou força durante a Caravana da FETEC-CUT/SP, que percorreu diversas cidades do Estado com a campanha “Eu Quero Mais Agências”, recolhendo assinaturas em defesa do atendimento presencial.
Para o deputado, a mobilização revela uma preocupação comum entre trabalhadores e usuários dos bancos.
“Precisamos discutir qual modelo de agência bancária queremos para a sociedade. O atendimento digital é uma alternativa importante, mas não pode eliminar o direito de escolha da população. A busca por mais lucro não pode justificar o fechamento de agências, a exclusão de milhares de pessoas dos serviços bancários e a sobrecarga que tem adoecido os trabalhadores. Durante a coleta de assinaturas da campanha ‘Eu Quero Mais Agências’, encontramos uma população preocupada e mobilizada. O atendimento presencial de qualidade é um direito e precisa ser preservado.”
Uma questão de cidadania
Para a diretora executiva da Associação dos Aposentados de Jundiaí, Fé Juncal, a campanha dialoga diretamente com a realidade da população idosa.
“A população idosa cresce a cada ano, mas o sistema financeiro ignora essa geração e a empurra para o atendimento exclusivamente digital, muitas vezes expondo aposentados e pensionistas a golpes. Para piorar, Jundiaí acumula um histórico lamentável de fechamento de agências.”
Rosaura Almeida, presidenta do PT de Jundiaí e pré-candidata a deputada federal, também manifestou apoio ao projeto do deputado Luiz Claudio Marcolino e à campanha “Eu Quero + Agências”, da FETEC-CUT/SP.
“Nada, não existe aplicativo que substitua a relação humana entre o trabalhador do sistema financeiro e a população atendida. É por isso que a gente está aqui, para apoiar a campanha da FETEC por mais agências e pela garantia de que todo município tenha agência física para atender a nossa população.”
Impacto social
O Projeto de Lei foi apresentado em meio ao acelerado processo de redução da rede bancária no país. Entre 2015 e 2025, aproximadamente 8,5 mil agências foram fechadas em todo o Brasil. Somente em 2025, mais de 1,5 mil unidades encerraram suas atividades, o equivalente a cerca de 30 agências fechadas por semana.
Agora, o Projeto de Lei nº 548/2026 seguirá para análise nas comissões permanentes da Assembleia Legislativa antes de ser votado em plenário.
Confira algumas fotos da sessão:
Fonte: FETEC-CUT/SP









