Nesta segunda-feira (15), o Brasil reforça a campanha mundial de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa, data que alerta para os diversos tipos de abuso, negligência e maus-tratos que afetam milhões de idosos em todo o país.
Entre as violências mais comuns estão a negligência (falta de cuidados básicos), o abandono, a violência física, psicológica, sexual e a violência financeira ou material — esta última de especial atenção para o sistema bancário.
A violência financeira ocorre quando há exploração imprópria ou ilegal dos recursos patrimoniais ou financeiros da pessoa idosa, sem seu consentimento. Infelizmente, muitas dessas situações acontecem dentro de casa, por parte de familiares ou cuidadores, mas poderiam ser identificadas ou interrompidas durante o atendimento bancário presencial, por exemplo.
Aí está um ponto grave: o fechamento acelerado de agências e a substituição de caixas físicos por autoatendimento e aplicativos estão excluindo digitalmente a população idosa. Muitas pessoas idosas dependem do atendimento humano para realizar operações simples, tirar dúvidas ou até mesmo para ter um contato social minimamente acolhedor. Sem uma agência por perto, sem um caixa para conversar, uma pessoa para quem possam pedir ajuda, eles ficam ainda mais vulneráveis à violência financeira e ao abandono institucional.
Os bancos, que lucram bilhões todos os anos, têm um papel social inegociável. Garantir acesso presencial, atendimento humanizado e canais de escuta para pessoas idosas não é favor: é obrigação legal e compromisso ético. Funcionárias e funcionários treinados podem observar sinais de constrangimento, dúvidas excessivas, saques atípicos ou movimentações estranhas. Um olhar atento e uma conversa cuidadosa podem evitar prejuízos financeiros e, muitas vezes, revelar situações graves de violência doméstica.
Assim, eles precisam investir em protocolos internos de acolhimento e identificação de violência contra a pessoa idosa, com canais de denúncia acessíveis e parcerias com redes municipais de proteção.
Se você é bancário ou bancária e identifica uma situação suspeita, saiba que pode ajudar. E se você é ou conhece uma pessoa idosa em situação de violência, denuncie:
– Disque 100 (Direitos Humanos)
– 190 – Polícia Militar (risco iminente)
– Unidades de saúde ou delegacias
Respeito, cuidado e proteção à pessoa idosa são compromissos de toda a sociedade — e também do sistema financeiro. Nenhuma pessoa idosa pode ser silenciada, explorada ou abandonada.
Denuncie. Acolha. Proteja.