Algumas pessoas acham que não existe racismo no setor bancário e que o mérito é o principal critério para as contratações e o crescimento profissional.
Será que isso é verdade?
Embora 56,1% da população brasileira seja preta ou parda, apenas 24% das bancárias e bancários são negros.
Nos bancos públicos, as cotas estão ajudando a mudar essa situação, mas somente 5% das diretorias são ocupadas por pessoas negras.
Se você estiver num banco privado e olhar à sua volta notará que ele privilegia a admissão de pessoas brancas. Isso porque o banco contrata o mínimo de pessoas negras para não ser considerado racista.
Os bancos precisam enfrentar o racismo de modo efetivo, com instrumentos objetivos para a contratação, capacitação e estímulo à ascensão profissional de pessoas pretas e pardas.
Também precisam atuar com maior rigor quando funcionários e funcionárias sofrem agressões racistas no atendimento a clientes.
O movimento sindical apoia ações afirmativas como reparação histórica. Os censos da diversidade foram fundamentais para explicitar essa situação e devem ser atualizados.
O setor bancário precisa ir além do discurso para, enfim, expressar a diversidade do nosso país.
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O Dia Internacional para Eliminação da Discriminação Racial, 21 de março, instituído pela ONU em memória ao Massacre de Sharpeville, ocorrido na África do Sul em 21 de março de 1960. Nesse dia, mais de 20 mil pessoas faziam um protesto pacífico contra as leis do apartheid, quando a polícia abriu fogo contra manifestantes, resultando na morte de 69 pessoas e em centenas de feridos.
O episódio chocou o mundo e tornou-se um símbolo da luta contra o racismo e a opressão.

Mayara Siqueira, funcionária da Caixa e diretora do sindicato

Jaqueline Oliveira, funcionária do Bradesco e diretora do sindicato
Fonte: Jornal dos Bancários – Jundiaí e Região (Novembro/2024)