Primeira mesa do Congresso dos funcionários do BB apresenta análise de conjuntura

Depois da aprovação do regimento interno, teve início os trabalhos do 34º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, na manhã desta quarta-feira (5).

A mesa inicial, intitulada “Os desafios da sociedade e dos trabalhadores”, contou com a participação de José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil no primeiro Governo Lula, e Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

De acordo com Juliana Martinelli, funcionária do BB e diretora do nosso sindicato, a análise foi muito importante para contextualizarmos nossa campanha salarial: “Economia, cultura, política: está tudo relacionado ao nosso esforço por melhores condições de trabalho. Nossa luta é influenciada pela conjuntura do país e do mundo e certamente contribui para transformações a partir das relações de trabalho e da economia”.

José Dirceu destacou a preocupação com o atual cenário mundial. “As disputas são entre a extrema direita e a direita, fruto do fim do estado de bem estar social e da desindustrialização que a globalização promoveu. Mas, junto com isso, vem uma crise moral enorme, com ataques a pautas de defesa dos direitos humanos, das mulheres, da igualdade e da democracia. No Brasil, essa mudança veio como resultado de uma reação dos setores conservadores na sociedade, que culminou na eleição de Bolsonaro, em 2018, e se ligou ao fundamentalismo religioso.”

Sobre as perspectivas econômicas, Dirceu mencionou os rumos traçados pelo governo, incluindo a Nova Indústria Brasil, o PAC e a transição ecológica. “Se o país cresce, todos os problemas vão melhorando”, garantiu. “Como o Brasil pode crescer? Primeiro temos bancos públicos, 50% dos créditos e dos ativos estão e são por meio deles. Por outro lado, temos como desafio crédito caro [por conta da Selic alta, imposta pelo Banco Central], que é a grande tragédia nossa e a concentração de renda: 20 milhões não têm 1% da renda nacional”, completou.

De acordo com ele, a geopolítica segue mudando e o Brasil precisa de um governo forte e unidade interna, principalmente para combater a pobreza e desigualdade, e impedir que o Brasil vire alvo da cobiça internacional. “Como formar um pacto no país com os setores da indústria? Atrair e construir uma aliança política com esses setores e mudar a correlação de forças no país para eleger um Congresso com uma bancada aliada com esse viés de desenvolvimento. Mas estamos no rumo certo, apesar dos muitos problemas. Desonerar a produção, desconcentrar a renda e enfrentar o problema da reindustrialização e aproveitar o momento da transição ambiental, e, com isso, mudar o agro, para proteger as águas e as florestas. Tem uma batalha nessa questão da transição, em relação ao agro, porque não é possível deixar de produzir”, pontuou.

Dirceu concluiu sua mensagem com um apelo ao otimismo e à união política para promover reformas sociais e políticas que deixem um legado para as próximas gerações. “Precisamos reformar nossas entidades sindicais e partidárias, repensar o mundo e o Brasil, fazer uma releitura de nós mesmos”, concluiu.

A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, que o movimento sindical bancário e as centrais sindicais levantam bandeiras de grande importância para o desenvolvimento do país, como um todo, que vão além das reivindicações específicas das categorias, como aumento salarial e condições de trabalho. “Temos grande preocupação sobre correção de forças [políticas] na sociedade, para que tenhamos um projeto de país. Para isso, precisamos mudar o Parlamento, que hoje tem metade do orçamento nas mãos. Como pensar na reindustrialização, em soluções para o emprego, por exemplo, se este Parlamento não tem compromisso com um projeto de país que defendemos?”, observou.

Ela também ressaltou a mobilização necessária para criar leis que protejam os trabalhadores por aplicativos, lembrando que, hoje, no Brasil, existem em torno de 4,5 milhões de pessoas nessa condição, sem direito à previdência e sem organização coletiva. “No debate que estamos tendo no Congresso, estamos sendo atacados justamente em pontos que são os melhores da lei que queremos para os trabalhadores por aplicativo. Ou seja, eles hiperpolitizam o discurso para despolitizar”, completou Juvandia, ao destacar, em seguida, que apenas 23% dos trabalhadores por aplicativo, atualmente, pagam previdência.

Matéria completa no site da Contraf-CUT

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