Adoecimento entre bancários já pode ser considerado epidemia

Somente entre os anos de 2013 e 2020, cerca de de 20.192 bancários e bancárias foram afastados de seus postos de trabalho por ano. A média foi anunciada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e Região após a apresentação dos dados pelo Comando Nacional dos Bancários na mesa de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

A Campanha Nacional Unificada dos bancários ainda trouxe mais números estarrecedores: embora o estoque de empregos gerado pelos bancos no Brasil corresponda a 1%, os trabalhadores e trabalhadoras do setor representam 3% do total de afastamentos por doenças.

Ivone Silva, presidenta do sindicato e uma das coordenadoras do Comando Nacional, aponta o que está por trás destes números: “(Eles são) consequência de um cotidiano exaustivo de trabalho, com o enfrentamento de metas abusivas e assédio moral”. No mesmo sentido, a dirigente ressalta: “Nos últimos cinco anos, o número de afastamentos nos bancos aumentou 26,2%, enquanto no geral a variação foi de 15,4%, ou seja, entre os bancários a variação foi 1,7 vezes maior. Os bancos se enquadram entre as empresas com maior risco de acidente de trabalho ou doença ocupacional no Brasil”.

Pressão por produtividade, metas abusivas e assédio: o cotidiano dos bancários

“Casos como as denúncias de assédio sexual e moral na Caixa Econômica pelo ex-presidente Pedro Guimarães e sua gestão, não estão isolados. Sabemos que o alto  índice de adoecimento está relacionado a uma pressão abusiva por cumprimento de metas”, ressalta Ivone Silva.

Mesmo frente aos números apresentados, os bancos não recuaram. Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e também uma das coordenadoras do Comando Nacional, informou: “Os bancos começaram a reunião dizendo que as metas não geram adoecimento, que o adoecimento mental não é um problema dos bancários”.

Porém, a ação do sindicato e da confederação, além das apresentações dos números obtidos junto ao INSS, derrubaram a tese dos patrões. “Nós provamos que o adoecimento mental dos bancários é maior que em outras categorias”, observou Juvandia Moreira.

Caso Santander é emblemático

Outros fatores ainda se somam para mostrar o peso dos prejuízos mentais no ambiente de trabalho bancário.

Houve um decréscimo no número de afastamentos por LER/Dort (uma doença física muito presente em quem faz trabalhos repetitivos) de 40% em 2012, para 23% em 2021. Praticamente no mesmo período, houve um aumento dos afastamentos acidentários somados aos causados por transtornos mentais e comportamentais (como estresse, depressão, síndrome do pânico): em 2012 a soma correspondeu a 30% do total de afastamentos. Já em 2021 corresponderam a 55%.

Uma tendência de assédio e que virou notícia recentemente foi o banco Santander, que foi condenado a pagar R$ 275 milhões de indenização por cobrança de metas abusivas em uma ação coletiva movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). A ação teve por base estudos realizados com trabalhadores da categoria e a decisão judicial proibiu o banco de continuar a exercer as metas da forma como vinha fazendo.

 

FONTE: RECONTA AÍ

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