”Isso é absurdo, isso é crime, pode ter certeza que isso é crime”, disse o senador Otto Alencar, que é médico.
Em fala na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o senador Otto Alencar (PSD-BA) classificou como “criminosa” a gestão do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia do coronavírus. O parlamentar também reclamou sobre a falta de domínio técnico do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em relação à pasta e à doença.

Alencar, que é médico, usou uma parte da sua fala para explicar a Pazuello como o vírus age dentro do organismo. “Essas coisas deveriam ser do domínio do senhor. Dá para ser general e tomar um cursinho rápido de doenças infectocontagiosas”, disse o senador.
Na sequência, o senador fez um desabafo sobre a postura negacionista de Bolsonaro ao longo da pandemia, dizendo que a atitude do mandatário é criminosa. Anteriormente, ele também leu frases de Bolsonaro ao longo da pandemia em que pregava contra a vacinação.
“Nós não podemos ficar sem ter o mínimo conhecimento. Isso só acontece no Brasil e nesse governo. É um governo que não tem compromisso nenhum na área da saúde. Um governo que o presidente nunca visitou um hospital de campanha, nunca teve a humanidade, a solidariedade, a caridade humana, de entrar em um hospital e pegar na mão de um doente e dizer ‘eu vou trabalhar para lhe salvar’.
”Não, foi lancha, foi passeio em praia, foi montar no cavalo, e as pessoas morrendo a míngua. Isso é absurdo, isso é crime, pode ter certeza que isso é crime”, disse o senador.
“É diferente quem trabalha com a vida das pessoas com quem trabalha com armas e quer armar o Brasil”, completou.
Freixo: “Pazuello deveria receber voz de prisão imediatamente”
O deputado federal, Marcelo Freixo, ao acompanhar o depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello à CPI do Genocídio comentou, na manhã desta quinta-feira (20), pela sua conta do Twitter: “Pazuello deveria receber voz de prisão imediatamente.”
Tragédia em Manaus

O ex-ministro Eduardo Pazuello declarou hoje à CPI da Covid que a responsabilidade de monitoramento do estoque de oxigênio não era o foco da Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas.
Esse foi o segundo dia de depoimento do general de Exército, que iniciou a oitiva ontem (19). A audiência foi interrompida depois de mais de sete horas de duração. A versão de Pazuello é de que o governo federal não pode ser responsabilizado pelo colapso na rede de saúde que acometeu a capital, Manaus, e o estado do Amazonas, no começo do ano.
O militar foi questionado pelo senador Eduardo Braga (MDB), que é do Amazonas, a respeito das razões que levaram o estado a entrar em colapso após falta de insumos aos pacientes da covid-19.
Gostaria de fazer um pequeno voo de volta a dezembro, só para poder contextualizar uma resposta como essa. Fica claro para mim que a preocupação com o acompanhamento do oxigênio não era um foco da Secretaria de Saúde do Amazonas, porque não focou oxigênio e ficou focado em outras coisas. Isso lá em dezembro ainda. No próprio plano de contingência apresentado para nós, não tinha nada sobre oxigênio.
Na perspectiva de Pazuello, a secretaria deixou de acompanhar os processos e de se antecipar aos problemas que aconteceriam um mês depois, em janeiro, quando ocorreu a falta de oxigênio na região. O ex-ministro disse que foi ao estado para compreender o problema e que a pasta foi “muito proativa”. Em contrapartida, Braga alegou que discorda do que Pazuello declara e que a comissão do Ministério da Saúde chegou em Manaus sem providenciar a busca de oxigênio na Venezuela.
O parlamentar também questionou sobre o encerramento das atividades do Hospital de Campanha Nilton Lins, ao que o general do Exército informou que as decisões do fechamento foram do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).
fontes: Revista Fórum e UOL
fotos divulgação