Projeto de deputadas inclui grávidas na vacinação contra a Covid

Sindicato destaca que tem lutado durante toda a pandemia para que gestantes e toda a categoria, que está na linha de frente, sejam priorizados no Plano Nacional de Imunização

Após 815 grávidas terem morrido em decorrência da covid-19 no Brasil até o dia 10 de abril, segundo dados do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19, o Ministério da Saúde decidiu incluir gestantes e puérperas no grupo prioritário de vacinação contra a doença. Até então, a solução encontrada pela pasta, hoje comandada por Marcelo Queiroga, era pedir que as mulheres adiassem a gravidez. A oferta da primeira dose deve ocorrer até o final de maio.

O Ministério da Saúde havia reconhecido que todas gestantes são grupo de risco. ”É um grande avanço para as grávidas e puérperas em geral”, diz a deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP), grávida de sete meses. Mas nesta terça (11), o Ministério decidiu  que a vacinação de grávidas e puérperas será restrita somente às mulheres com comorbidades (doenças preexistentes) e elas devem receber apenas as vacinas CoronaVac e Pfizer.

Uma investigação sobre morte de grávida vacinada com o imunizante da AstraZeneca levou governo a autorizar a aplicação apenas em gestantes com comorbidades, sendo que elas devem tomar a CoronaVac ou a vacina da Pfizer.

A diretora do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região, Letícia Mariano, lembra que a categoria tem lutado bravamente para que bancários e bancárias sejam priorizados no Plano Nacional de Imunização, já que fazem parte dos trabalhadores essenciais durante a pandemia. ”Além disso também lutamos para que as gestantes, além de vacinadas, estejam todas em home office por toda a pandemia”. O projeto de lei da deputada federal do PCdoB, Perpétua Almeida, foi aprovado pelo Congresso no dia 15 de abril e sancionado no dia 12 de maio pelo presidente Jair Bolsonaro. (Veja matéria completa ao final)

 

Confira abaixo os principais pontos sobre o PROJETO DE LEI PARA VACINAÇÃO DE GESTANTES E PUÉRPERAS:

O que mudou nesta semana?

Agora apenas grávidas com comorbidades podem ser vacinadas.

Antes da determinação de terça-feira, o ministério tinha decidido – em 26 de abril – incluir todas as grávidas e puérperas (mulheres no período pós-parto) no grupo prioritário para receber a vacina contra a Covid-19. Em 15 de março, o governo já tinha incluído as gestantes com comorbidades.

Por que a vacina AstraZeneca foi vetada para esse grupo?

O Ministério da Saúde analisa um caso raro de morte de uma gestante de 35 anos por causa de um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVC) que pode ter ligação com o uso da vacina AstraZeneca. O óbito ainda está em investigação e, segundo o governo federal, ainda não está comprovado que a vacinação tenha causado a complicação na gestante.

As grávidas devem tomar a segunda dose?

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Franciele Francinato, grávidas e puérperas que tomaram a vacina da AstraZeneca não devem tomar a segunda dose. A orientação ainda é provisória porque sua manutenção ou seu cancelamento dependem da conclusão da análise do caso da gestante que morreu depois de tomar a vacina.

A vacina chinesa CoronaVac, do laboratório Sinovac, é a mais usada no país. Também é aplicado, mesmo que em menor quantidade, o imunizante da AstraZeneca/Oxford. Recentemente, o fármaco produzido pela Pfizer/BioNTech passou a ser administrado no Brasil.

A epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), destacou que a vacina da Pfizer é “a única que já tínhamos estudos e evidências científicas de que não tinha eventos adversos sérios no grupo das gestantes”.

Mas a CoronaVac, apesar de não contar com estudos específicos para este grupo, usa uma tecnologia que já se provou segura, também presente nas vacinas contra a gripe, explica Maciel.

O que diz a AstraZeneca?

Em nota, a AstraZeneca afirmou que “mulheres que estavam grávidas ou amamentando foram excluídas dos estudos clínicos” da vacina. Veja íntegra:

“Referente a suspensão do uso da vacina AstraZeneca/Fiocruz por parte da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a AstraZeneca esclarece que as mulheres que estavam grávidas ou amamentando foram excluídas dos estudos clínicos. Esta é uma precaução usual em ensaios clínicos. Os estudos em animais não indicam efeitos prejudiciais diretos ou indiretos no que diz respeito à gravidez ou ao desenvolvimento fetal.”

Quais são os efeitos colaterais conhecidos da vacina AstraZeneca?

Considerando dados dos ensaios clínicos de fase 3, o governo britânico lista as seguintes reações adversas como mais frequentes após a aplicação da vacina de Oxford:

  • sensibilidade e/ou dor no local da injeção
  • cefaleia (dor de cabeça)
  • fadiga
  • mialgia (dor muscular)
  • mal-estar
  • febre
  • calafrios
  • dor nas articulações
  • náuseas

Entre as 23 mil pessoas que participaram dos testes, cerca de 1 a cada 10 relatou ao menos um dos sintomas acima.

Mesmo após casos raros de coágulos que ocorreram em pessoas imunizadas com a vacina, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) manteve a recomendação de que ela fosse aplicada – pois os benefícios superavam os riscos.

Na página oficial de informações sobre a vacina da AstraZeneca, o governo britânico reconhece os eventos adversos de trombose e diz que a maior parte deles ocorreu nos primeiros 14 dias após a vacinação, mas que também houve relatos após esse período.

Nenhum grupo de risco foi identificado, mas, como medida de precaução, o governo recomenda que a administração da vacina da AstraZeneca em pacientes com histórico de trombose do seio venoso cerebral ou síndrome antifosfolipídica seja considerada apenas quando o benefício superar riscos potenciais.

A página também recomenda que pessoas imunizadas com a vacina de Oxford/AstraZeneca devem buscar atendimento médico imediato se, 4 dias ou mais após a vacinação, desenvolverem:

  • um novo início ou agravamento de dores de cabeça fortes ou persistentes com visão turva, que não respondem a analgésicos simples;
  • novos sintomas, como falta de ar, dor no peito, inchaço nas pernas, dor abdominal persistente, sintomas ou sinais neurológicos (como confusão ou convulsões) ou hematomas e/ou petéquias (manchas vermelhas ou marrons) incomuns na pele.

Pessoas com eventos tromboembólicos e trombocitopenia (baixo nível de plaquetas) devem ser levadas ao hospital com urgência e a um especialista em hematologia para aconselhamento.

fontes: G1 e Seeb Jundiaí

Aprovada Lei que determina afastamento de gestantes na pandemia

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