Revoltante: em agosto, a Pfizer ofereceu 500 mil doses até dezembro de 2020 e 70 milhões de doses até o final de 2021. Seriam 3 milhões de doses até março, o que poderia acelerar em 20% a vacinação brasileira até o mês passado e salvar milhares de vidas
O governo Jair Bolsonaro recusou 11 ofertas de vacinas feitas ao nosso país antes de aceitar a compra da CoronaVac e do imunizante Astrazeneca/Oxford, entre outubro de 2020 e janeiro de 2021.
O governo ignorou três ofícios enviados pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, ao Ministério da Saúde. Segundo os documentos, de conhecimento público, o órgão do governo estadual de São Paulo enviou ofertas ao Executivo em 30 de julho em 18 de agosto e em 7 de outubro para que a vacina Coronavac fosse distribuída nacionalmente. A gestão Bolsonaro ignorou todos os ofícios.
A Pfizer também fez três ofertas ao governo federal que foram negadas. Em agosto, a farmacêutica estadunidense ofereceu 500 mil doses até dezembro de 2020 e 70 milhões de doses até o final de 2021. Seriam 3 milhões de doses até março, o que poderia acelerar em 20% a vacinação brasileira até o mês passado e salvar milhares de vidas. Em outras duas ocasiões o governo recusou as ofertas da farmacêutica que se tornou o carro chefe da vacinação nos EUA e no Reino Unido.
O governo brasileiro também não aceitou duas propostas da Covax Facility, consórcio mundial organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a distribuição mundial de vacinas. A gestão Bolsonaro somente ingressou no grupo que distribuirá 212 milhões de doses ao Brasil na terceira tentativa da Organização Mundial da Saúde.
No total, a CPI da Covid-19 no Senado somou 11 ofertas de venda de vacinas para o governo brasileiro que foram recusadas. Segundo um modelo matemático criado por pesquisadores da USP, do Instituto Butantan e da FGV, a demora do governo Bolsonaro na compra de vacinas foi responsável pela morte de 90 mil pessoas até agora.
Não à Pfizer
Há ainda mais três ofertas formais feitas pelo laboratório Pfizer. A primeira delas foi feita em agosto de 2020, quando a farmacêutica colocou à disposição do Brasil 70 milhões de doses para serem entregues em dezembro. As outras duas ofertas formais, feitas através de documentos, foram confirmadas pelo laboratório. Segundo o ex-secretário de comunicação, Fabio Wajngarten, como o Ministério ignorava as propostas, exatamente como fez com o Butantan, ele próprio abriu as portas do Palácio do Planalto para uma negociação formal com o presidente da República e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Também não andou.
Não à Covax Facility
O senador Randolfe Rodrigues, autor do requerimento da CPI acrescenta à contagem as duas vezes que o governo Jair Bolsonaro se recusou a participar consórcio da Covax Facility. Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, o Brasil só aderiu no terceiro convite para aquisição de 212 milhões de doses. O acordo era visto pelo Ministério das Relações Exteriores como uma atitude globalista, portanto nociva ao país. O número de doses foi reduzido a pedido do governo brasileiro.
fontes G1 e Hipeness