Por que tantos jovens querem se desligar do BB?

”Principal motivo tem sido insatisfação com o trabalho, excesso de cobranças e desgaste emocional”. 

Editorial

por Paulo Malerba, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região

Em geral, os planos de PDV do Banco do Brasil atraíam as pessoas em final de carreira, próximas à aposentadoria ou já aposentadas pelo INSS, para as quais o incentivo financeiro auxiliava a transição para uma nova fase da vida. 

Nos últimos planos de demissão, PAQ e PDE, no entanto, aconteceu a adesão de um número significativo de empregados que ainda possuem longo período para se aposentar, são jovens de idade, mas com tempo entre dez e vinte anos de banco.

Embora não haja dados consolidados nacionalmente, é fácil perceber, em diversas regiões, a repetição dessa situação. 

Ao considerar que estamos enfrentando tempos extremamente difíceis no país, durante uma pandemia, com recessão econômica e poucas perspectivas de uma retomada na economia e no mercado de trabalho num curto prazo, esses desligamentos tornamse ainda mais surpreendentes. 

A opção pelo desligamento de um emprego com uma virtual estabilidade de vínculo, segurança financeira e bons benefícios, não é algo simples, pelo contrário, envolve diversas variáveis e riscos. O que nos leva à questão: por que tantos jovens querem se desligar do Banco do Brasil? 

Em nossa experiência, em diálogo com essas pessoas, inclusive com outras tantas que queriam sair, mas não estavam dentro das regras do programa, o motivo primordial é a insatisfação com o trabalho, o excesso de cobranças, o desgaste emocional. 

Muitas dessas pessoas não possuem um projeto claro após o desligamento da empresa. Elas preferem receber o incentivo financeiro para se desligar e correr riscos a continuar em um trabalho que não lhes é gratificante.  

Essas razões deveriam causar preocupações à direção do banco. Temos inúmeros empregados que não se enxergam mais trabalhando no Banco do Brasil e não vislumbram um futuro na empresa, que outrora era o sonho de muitos jovens. 

O BB está perdendo talentos, pessoas que poderiam contribuir para os negócios. Deve-se considerar que essa é a ponta de um iceberg, é perceptível que muitos outros empregados tiveram vontade de se desligar, mas, por outros motivos, entenderam que esse não era o momento, porém a insatisfação continua. 

Evidente que a grande maioria das pessoas precisam trabalhar e sustentar suas famílias, no entanto, o trabalho não precisa e não deve ser um fardo. Uma empresa grande e importante para o país, como o BB, tem incontáveis ferramentas para tornar o ambiente de trabalho em algo que realize as pessoas, que cumpram suas funções e objetivos, ao mesmo tempo que as façam sentir-se bem.

Nos últimos quatro anos são sucessivas as reestruturações que tiram o sono e a tranquilidade das pessoas. Vários funcionários perderam seus cargos, tiveram redução salarial, mudaram de local de trabalho, estão desesperançados.Sem dúvida, não foram tratados com respeito. 

Isso acontece porque a lógica das metas e da pressão pelos resultados está deixando todos exauridos e descontentes. 

A produtividade não precisa e não pode estar atrelada à infelicidade. 

A mudança dessa lógica é urgente!

 

fonte: Jornal dos Bancários Seeb Jundiaí

 

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