Banco desrespeita crise mundial, culpa pandemia e já demitiu mais de 800 trabalhadores no país.
Embora o Santander tenha assumido o compromisso com a Contraf-CUT e a UNI Global Union em garantir os empregos durante a crise sanitária que o mundo inteiro atravessa, o banco já demitiu mais de 800 trabalhadores em plena pandemia. E somente no Brasil. O banco também já anunciou a previsão de corte de 20% dos postos de trabalho, o que pode chegar à marca de 10 mil funcionários, ainda este ano, ou seja, ainda durante a pandemia, num país que já ultrapassou as 115 mil mortes por Covid-19.
O banco tem usado a pandemia como desculpa para as demissões, ainda que tenha lucrado mais de R$ 14 bilhões em 2019 e mais R$ 6 bilhões no primeiro semestre de 2020.
Os sindicatos informam que o banco começou a demitir “numa estratégia ‘conta-gotas’, tentando não chamar a atenção da opinião pública. Usando como justificativa um desempenho insuficiente – que é medido por metas que, se já eram excessivas antes da pandemia, agora tornaram-se irreais”. Entre as novas metas, funcionários denunciam o programa Sou 40, que prevê a venda de 40 produtos em 10 dias.
“É um negócio muito absurdo’’, afirma Juvandia Moreira, presidente da Contraf-CUT. ‘’É cobrança de meta quando o Brasil inteiro enfrenta uma pandemia. Como é que o bancário vai vender um seguro, uma capitalização, fazer uma alteração, um investimento, se muitos dos clientes estão precisando do dinheiro?”, questiona.
A presidenta da Contraf lembra que os bancos “foram os primeiros a serem socorridos” diante da pandemia de covid-19. Logo após a fixação das medidas de isolamento social, no dia 23 de março, o Banco Central anunciou a disponibilização de R$ 1,216 trilhão para os bancos brasileiros, o equivalente a 16,7% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor é expressivamente superior ao disponibilizado durante a crise econômica global de 2008, cerca de R$ 117 bilhões, ou 3,5% do PIB.
O diretor do Sindicato em Jundiaí, Natal Gomes, lembra que no início da pandemia, o presidente do banco Santander no Brasil, Sergio Rial, comparou a quarentena e home office a “deserção”, como informam funcionários da empresa.
Em um comunicado, ele destacou “o cuidado necessário que cada um deve ter com absenteísmo” no trabalho.
‘’É uma total falta de respeito com a situação que o país atravessa e, especialmente, com os funcionários do Santander. Nessa crise, que ainda vai longe, por falta de gestão do governo federal, muitas famílias estão sofrendo ainda mais com as demissões descabidas, como as que ocorrem no Santander do Brasil’’.
#SantanderRespeiteOBrasil
Para conter as demissões e reivindicar que o banco cumpra a promessa de garantir empregos e trabalhadores do grupo de risco em home office, sindicatos de todo o país estão realizando uma campanha paralela à Campanha Nacional, exigindo que o banco respeito o Brasil. A hashtag #SantanderRespeiteOBrasil tem feito parte da lista dos assuntos mais comentados durante todo esse mês.
Fontes: Seeb Jundiaí / Brasil de Fato