”Embora tardia, a volta à fase vermelha é mais prudente a fim de conter a pandemia no município”.
Jundiaí voltou à fase vermelha, na qual deve-se restringir a abertura de comércios e serviços que haviam retomado as atividades no mês de junho, quando a cidade estava classificada na fase amarela. O município não foi deslocado à fase vermelha sozinho, frisa o prefeito em vídeo, mas com a região administrativa de Campinas, composta por 4,5 milhões de habitantes e com realidades distintas.
No pronunciamento do prefeito Luiz Fernando Machado nota-se duas preocupações. A primeira é o cuidado em não desagradar o lado que quer a abertura total, reforçado pela maioria dos vereadores, motivo pelo qual ele enfatiza, desde o título, que a decisão é do governo estadual, ao prefeito cabe tão somente segui-la. Machado não quer ter o ônus da decisão.
A segunda preocupação está na tentativa de mostrar que Jundiaí é exemplar no combate ao vírus, no que diz respeito ao seu governo, sobretudo pela criação de leitos. De certa forma, pelas palavras do prefeito, não foi merecido o rebaixamento de fase. Porém, ele evita o confronto direto com o governador Dória, do mesmo partido. Como bom tucano, ele se equilibra no muro, mas sinaliza que, na perspectiva dele, tudo poderia continuar como estava. A cidade foi à reboque da região administrativa.
A visão dele colide com os dados do município de Jundiaí que, durante o período em que aderiu à fase amarela, por decisão do prefeito, teve as mortes triplicadas, de 67 para 203, e os casos confirmados elevados de 922 para 4195, mais de quatro vezes. A ocupação de leitos, mesmo contabilizada a ampliação de 16 UTIs exclusivas para Covid na rede pública e 23 UTIs gerais na rede privada, permaneceu na faixa de 77%.
A situação é preocupante demais. Ainda não sabemos se o nível de contaminação seguirá crescendo, afinal são 561 casos ativos e 137 pessoas internadas em UTI na cidade. Embora tardia, a volta à fase vermelha é mais prudente a fim de conter a pandemia no município. Não é hora de malabarismos para agradar, e sim de prioridade à saúde e à vida das pessoas.
Paulo Malerba
Presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região
foto: Centro de Jundiaí no sábado (4) / divulgação