Santander: por metas, gestores ameaçam fim do home office de bancários na quarentena

Cobranças por resultados aterrorizam trabalhadores que deixaram o prédio Conexão, em São Paulo, para a própria segurança e preservação da saúde; na regional norte, bancários são intimados a vender produtos para cumprir as metas tanto das agências ainda abertas quanto as das fechadas pelo banco

São Paulo – Alguns gestores do Santander parecem desprovidos de qualquer consciência diante da grave situação da pandemia do coronavírus.

Um exemplo é o que ocorre no prédio Conexão, na Barra Funda (SP), no qual trabalhadores em quarentena estão sendo ameaçados com a volta ao local de trabalho de origem se não cumprirem as metas estabelecidas pelos seus superiores.

Há terror também nas cobranças por vendas de produtos e metas estabelecidas nas agências subordinadas ao gerente regional norte, tanto as ainda abertas quanto as fechadas pelo banco por tempo indeterminado.

No Conexão, trabalhadores em home office têm sido intimados por e-mail, segundo denúncias feitas ao Sindicato de São Paulo. “Recebemos um e-mail do supervisor falando que se não atingirmos os 40 protocolos (meta para home office), teremos que ir trabalhar no Conexão. O e-mail ainda diz que o mesmo vale para ‘se a rede estiver ruim’”, relata um trabalhador do prédio que está trabalhando de casa.

Na regional norte, as cobranças são para que produtos sejam vendidos aos montes a clientes, mesmo diante da crise. As mensagens recebidas por bancários falam de “questão de salvação de nossos clientes e nosso resultado futuro”, “pegada forte para tirar da frente”, além de conter frases como “não podemos parar”, “precisamos como time cobrir as demais agências” e “socializar na equipe, principalmente quem ainda está na dispersão (o trabalhador que cobre, ao mesmo tempo, as agências abertas e fechadas)”.

Na mesma área, o gerente regional tem, inclusive, contrariado as recomendações do próprio Santander, que postergou, por exemplo, o pagamento da parcela para contratos de crédito pessoal para 60 dias.  

“Diante da gravidade de uma situação de pandemia, a qual as pessoas são obrigadas a se isolar em suas casas para que protejam a sua saúde e a da população, as cobranças de alguns dos gestores do Santander são, no mínimo, desumanas, para não dizer irresponsáveis, por atentar contra a saúde dos bancários e a saúde pública”, enfatiza o dirigente sindical em São Paulo, Gilberto Campos, o Giba, bancário do Santander.

O dirigente ainda lembra que home office não é bônus ou prêmio para quem bate meta, “mas sim dever do banco para com seus trabalhadores, no intuito de diminuir as pessoas nos locais de trabalho e reduzir o risco de contágio”. “Outra, decisão de home office não é alçada de gerente regional muito menos de supervisor, mas faz parte dos compromissos do banco e da Fenaban firmados em mesa de negociação com o Sindicato”, acrescenta.

“Neste momento onde os clientes estão também tentando contornar a crise, ninguém tem cabeça ou interesse em produto financeiro. A desfaçatez chega a tal ponto que os gestores, para que as metas sejam cumpridas, contrariam as novas orientações do banco ante o cenário de pandemia do coronavírus. Além disso, faz parte das nossas reivindicações junto à Fenaban a suspensão da cobrança por metas durante esta crise”, finaliza Giba, acrescentando que o Sindicato continuará cobrando que o banco reoriente esses gestores.

fonte: Seeb SP / foto: divulgação

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