Deputados e representantes dos funcionários rebateram Rubem Novaes e observaram que o banco é eficiente e a venda não se justifica
presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, voltou a defender a
venda do banco para a iniciativa privada, mas afirmou, no entanto, que o
assunto está fora de cogitação no momento. “A privatização do banco é
uma questão política. Todos sabem meu posicionamento, mas o que importa é
que o presidente (Jair Bolsonaro) disse que não vai privatizar e o
assunto está encerrado. E mesmo que fosse a decisão do Executivo, teria
que passar pelo Congresso, teria que ser lei”, disse Novaes durante a audiência da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados realizada na terça-feira (10).
“Por
mais que ele tenha afirmado o banco não será privatizado, precisamos
ficar atentos. Tanto ele quanto o Paulo Guedes (ministro da Economia)
não negam que têm interesse em privatizar o banco. Basta eles
conseguirem fazer com que Bolsonaro acredite que a privatização do banco
é bom para o Brasil”, alertou o dirigente do Sindicato dos Bancários de
Belo Horizonte e Região, Wagner Nascimento, que representou a Comissão
de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e a Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) na
audiência. “Esta tarefa não é difícil. Bolsonaro já confessou que não
entende nada de economia”, lembrou Wagner Nascimento.
Eficiência e função social
Dados da pesquisa “Percepção do BB no Congresso Nacional”,
realizada pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil
(ANABB), mostram que 74% dos congressistas discordam da privatização do
banco.
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que é contra a
privatização, defendeu a função social do banco e lembrou que o Banco do
Brasil teve um lucro de R$ 13 bilhões em 2019 que, na opinião dela, é
resultado do trabalho de excelência feito pelos funcionários.
“Se
o Banco do Brasil for privatizado, ele só vai estar em locais que
oferecem retorno financeiro. Não vai ter uma política de crédito de
longo prazo ou que tenha risco. A gente precisa dos bancos públicos.
Estamos falando de um banco que existe desde 1808, que faz parte da
história do povo brasileiro e que tem sido um instrumento absolutamente
imprescindível”, defendeu a deputada Érika Kokay.
A eficiência
do banco pode ser vista durante a apresentação feita pela representante
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), Mariel Lopes. Segundo ela, o Banco do Brasil é competitivo
frente aos bancos privados e a instituição tem um papel fundamental no
atendimento bancário às cidades mais pobres.
“A presença dos
bancos públicos é muito maior do que a dos bancos privados nos lugares
mais longínquos do país. Dificilmente o Bradesco, o Itaú, ou o Santander
terá interesse em manter agências em cidades pequenas. Nesse caso, os
bancos públicos cumprem o papel de promover o desenvolvimento. Eles são o
primeiro acesso de muitas pessoas ao sistema bancário, ao sistema de
crédito”, disse Mariel. Para ela, nas cidades pequenas, que dependem
muito de recursos federais, a presença dos bancos públicos é essencial
para que a economia seja dinamizada.
“Além disso, a presença do
BB e da Caixa no mercado é essencial para a promoção de políticas
anticíclicas e para evitar que o mercado se concentre ainda mais e,
consequentemente, sem concorrência, aumente ainda mais os spreads bancários”, completou.
Privatização disfarçada
Até o vice-líder do governo no Congresso Nacional, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) defendeu a importância do Banco do Brasil. Ele reconheceu que setores da área econômica defendem a privatização, mas disse que, nesse momento, o banco está fora da lista de prioridades. “O Banco do Brasil é o banco do agricultor brasileiro, encarregado do fomento à produção, do agronegócio, que é o maior negócio do Brasil. É o que garante a nossa balança comercial, e é o que nos dá a capacidade de crescimento econômico”, afirmou.
“Falam que o banco não está na lista de privatizações, mas vendem subsidiárias e colocam ações do banco à venda. Além disso, tiram o poder de fomento do banco e alteram sua política de taxas de juros. Isso reduziu a importância do banco e sua participação no mercado”, observou o representante da CEBB. “Queremos o banco inteiro e fortalecido”, completou Wagner, lembrando que estão sendo realizadas audiências públicas em todo o país para mostrar a importância do Banco do Brasil e dos demais bancos públicos para o desenvolvimento do Brasil.
O secretário de Imprensa do Sindicato dos Bancários de Brasília e Região, Rafael Zanon, destacou que a história do Banco do Brasil nos últimos 15 anos foi de crescimento, com geração de lucro e de dividendos para seus acionistas, principalmente para o acionista principal, que é a União e, em última instância, para o povo brasileiro. E finalizou dizendo “as declarações do presidente Rubem Novaes e do ministro da Economia, Paulo Guedes, colidem com a opinião da maioria do povo brasileiro e da maioria dos parlamentares do Congresso Nacional”.
Fonte: Contraf-CUT