“FALA AÍ” (Especial para Jornal dos Bancários de Jundiaí e Região)
A perda de direitos pode vir em dose cavalar para os bancários com o fim da ultratividade. A Campanha Salarial de 2018 será um dos maiores desafios dos últimos tempos travados entre empregados e patrões.
O secretário de finanças da FETEC-CUT, Roberto Rodrigues, e o secretário de comunicação da Contraf-CUT, Gerson Pereira, avaliam como será a Campanha deste ano.

Qual a importância de haver mesa única de negociação com bancos públicos e privados durante a campanha salarial?
Com a mesa única os bancários se fortaleceram, pois as conquistas foram estendidas a todos. Durante o governo FHC, os bancários de bancos públicos muitas vezes tiveram reajuste 0%, acumulando grandes perdas. A Situação nos bancos privados não foi muito diferente, embora em alguns anos o reajuste foi próximo de repor a inflação. A mesa única fortaleceu a negociação e as conquistas foram para toda a categoria, dos bancos públicos e privados de todo Brasil .
Por que os sindicatos estão sendo tão atacados nesse momento? Mesmo com tantos ataques, de que forma os trabalhadores podem se fortalecer?
O capital está se reestruturando em nível mundial. Segundo organismos internacionais, mais de 100 países implementaram leis que reduzem direitos dos trabalhadores e os sindicatos estão sendo duramente atacados. O melhor que o trabalhador pode fazer é participar ativamente do seu sindicato e fortalecer as ações que se realizam para manter as conquistas.

Gerson Pereira
Qual a importância da Convenção Coletiva de Trabalho?
A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é um acordo firmado entre sindicatos de trabalhadores e patrões para estipular as condições de trabalho especiais e complementares à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Seus efeitos alcançam todos os contratos individuais de trabalho dos empregados das empresas representadas pelo sindicato patronal. Portanto, a categoria que conquista a CCT, garante benefícios melhores que o resto das categorias que seguem as regras da CLT.
A CCT dos bancários, especificamente, é negociada entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban. Após anos de lutas, os bancários garantiram conquistas, como a PLR, 13º salários e 13ª cesta básica, licença paternidade de 20 dias e licença maternidade de 120 dias.
Quais são os maiores desafios dessa campanha?
Este ano a Campanha Nacional dos Bancários será diferente de todas as outras, por ser a primeira após a aprovação da Reforma Trabalhista. A primeira mudança é a antecipação da campanha, já que com a reforma acaba a ultratividade. Portanto, o principal objetivo da categoria bancária será a manutenção dos direitos, conquistados historicamente com uma luta de mais de 30 anos.
Vale ressaltar que esse ano nossa minuta de reivindicações será definida em junho, e nossa data-base antecipada para agosto.
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Você sabe o que é Ultratividade?
A Ultratividade existe para manter a vigência de um acordo depois da validade vencida. Quando a Convenção Coletiva expirava, os direitos previstos continuavam a valer. Com a Reforma Trabalhista a ultratividade acabou. Justamente como os bancos queriam, com exclusão de direitos logo que a validade do acordo termine. Portanto, a partir do dia 1º de setembro não haverá garantia de todos os direitos conquistados até que renovemos a Convenção Coletiva, item a item. E isso representa um grande prejuízo para todas as categorias.
Fonte: Seeb Jundiaí