O ano de 2018 já começou cheio de apreensão e desafios. O presidente do Sindicato dos Bancários, Douglas Yamagata, aborda a conjuntura e a importância da união e mobilização dos trabalhadores.
Adeus, direitos
Os reflexos da Reforma Trabalhista já começam a aparecer no dia a dia de várias categorias. O modo como foi aprovada a Reforma têm gerado insegurança para toda a sociedade, porque há vários pontos polêmicos e inconstitucionais, inclusive contrariando resoluções internacionais.
Uma das questões da Reforma Trabalhista que têm preocupado os trabalhadores é a ‘ultratividade’. Antes da reforma, as convenções e acordos coletivos que asseguram os pisos salariais e direitos conquistados pela categoria, eram prorrogados automaticamente até a assinatura de um novo contrato. Com a reforma, uma vez vencido o prazo do contrato coletivo, os pisos salariais e direitos conquistados anteriormente perdem a validade. Ou seja, não há prorrogação do contrato.
Condenação de Lula
A tentativa de impedir a participação de Lula nas eleições e condená-lo num processo judicial maculado por irregularidades, e criticado como injusto por importantes juristas brasileiros e estrangeiros, tem por objetivo negar a participação popular nas decisões do país. Antes de tudo é um julgamento viciado e de caráter político.
O processo contra o ex-presidente Lula se insere num contexto amplo de interesses de poderosas forças econômicas e políticas de âmbito nacional e internacional. Neste cenário encontram-se o impeachment ilegítimo da presidenta Dilma Rousseff e os sistemáticos ataques aos direitos sociais e trabalhistas, exemplificamos nas reformas trabalhistas, previdenciária (em trâmite), na PEC do teto de gastos e em diversas medidas que favorecem os ricos em detrimento da população trabalhadora, que foi beneficiada ao longo dos governos do ex-presidente.
Lula deve ter o direito de ser candidato a presidente do Brasil e será julgado politicamente pelo povo brasileiro. Ele deve ter um julgamento justo e imparcial, assim como todos e todas brasileiros submetidos ao poder judiciário.
A farsa sobre a Previdência
Como se não bastasse, a proposta de Reforma da Previdência ainda é assunto sem definição. O movimento sindical têm pressionado os deputados para que votem contra a reforma. Não há déficit na Previdência. Ocorre que o próprio governo não contabiliza o Pis/Cofins e a CSLL nas contas da Previdência. Além disso, o governo não cobra as empresas devedoras da Previdência, entre elas o Bradesco e o Itaú que juntos detém uma dívida de mais de R$500 bilhões. Portanto, a atual propaganda que o governo Temer vem dizendo, de que a Previdência irá quebrar, é uma farsa. O maior gasto do governo continua sendo com pagamento de serviços da dívida interna, principalmente juros, bem como falta de receitas devido às desonerações fiscais para grandes empresários.
#ForaPatrões
Este ano, além da Copa do Mundo, teremos eleições gerais para presidente, governador, deputados e senadores. É importante que os eleitores votem e elejam candidatos comprometidos com os trabalhadores. Esse é o caminho para revertermos a situação, com apresentação de projetos de nosso interesse e combate a projetos contrários. Não basta apenas nos preocuparmos com o Poder Executivo e nos esquecermos do Congresso Nacional. Hoje, majoritariamente a Câmara dos Deputados e o Senado são compostos por patrões e seus representantes. É preciso mudar essa configuração.
Campanha Nacional
Com todos estes desafios, especialmente a “ultratividade”, em que a Convenção Coletiva não é prorrogada, ressaltamos que a Campanha Nacional dos Bancários 2018 será antecipada. Os encontros e Congressos para definição das nossas reivindicações serão no mês de junho. Com as novas reestruturações, ameaças de privatização e as demissões, o envolvimento de todos é fundamental para que juntos possamos construir uma pauta de reivindicações em defesa dos nossos direitos e ampliação de novas conquistas.
2018 poderá ser o ano de nossas vidas. É preciso que façamos as escolhas certas e estejamos mobilizados. O nosso futuro só depende de nós.
capa: montagem sobre quadro de Salvador Dali, “Persistência da Memória”, em referência ao seriado “La Casa de Papel”, que trata da resistência contra a ganância do sistema financeiro
fonte: Seeb Jundiaí