Os empregados da Caixa estão indignados com a PLR creditada na última quinta-feira (30/3). Além de pagar a segunda parcela na data limite (31 de março), estabelecida no Acordo Coletivo (2016/2018), os valores foram considerados ridículos, já que o cálculo foi projetado em um lucro que não se concretizou.
O banco ignorou o mau momento da economia. Em setembro, quando o lucro acumulado era de R$ 3,4 bilhões, projetava-se fechar o ano com quase R$ 6,7 bilhões. Com base nessa projeção, a Caixa pagou aos empregados a primeira parcela da PLR, em 20 de outubro do ano passado. Entretanto, o lucro líquido contábil apresentado no dia 28 foi de R$ 4,1 bilhões. Uma queda de 41,8% em 12 meses.
Paulo Mendonça, empregado da Caixa e diretor do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região, explica que regra de PLR dos empregados é aplicada sobre o resultado contábil, e não sobre o recorrente. “Se utilizassem o lucro líquido recorrente, tanto a PLR adicional quanto a PLR Social teriam aumento de cerca de 20%, e a regra básica também teria seu valor elevado”.
Em 2016 o banco cortou 2.480 postos de trabalho e anunciou o fechamento de 102 agências. “Todas essas ações comprovam que a direção do banco tem como principal meta gerar caixa para pagar as contas e dívidas do governo federal. Não existe mais a intenção de manter a Caixa 100% pública e muito menos de se investir em obras sociais”, ressalta Mendonça.
Segundo ele, a queda do lucro do BB e da Caixa, os prejuízos divulgados da Petrobras e nos Correios demonstram que a política do governo ilegítimo de Michel Temer é de desvalorização das empresas públicas.
A Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) marcou reunião com a direção do banco para esta sexta-feira (7). Os representantes dos trabalhadores querem esclarecimentos sobre o cálculo utilizado.
Regra da PLR
Na Caixa, a PLR é composta pela regra básica Fenaban, prevista na Convenção Coletiva de Trabalho 2016/2018, correspondente a 90% do salário mais R$ 2.183,53, limitado a R$ 11.713,59; parcela adicional, também presente na CCT, que representa 2,2% do lucro líquido do banco dividido pelo número total de empregados em partes iguais, até o limite individual de R$ 4.367,07; e a PLR Social, equivalente a 4% do lucro líquido, distribuídos linearmente para todos os trabalhadores. A Caixa garante no mínimo uma remuneração base.
1 – Diz a Caixa: “economia brasileira passou por desafios sem precedentes” em 2016.
Errado. A economia brasileira foi empurrada a um buraco sem precedentes. Sob a remédio neoliberal de recuperação, o país amargou queda do Produto Interno Bruto de mais de 8% em dois anos.
2 – Diz a Caixa: “a contratação de crédito caiu”.
Aqui ela acerta: a carteira de crédito ampliada variou apenas 4,4% em 2016. Claro, desempregados aos milhões e empresas sem vendas têm dificuldades em contratar empréstimos e financiamentos. A empresa reconhece a tragédia econômica.
3 – Diz a Caixa: “o longo período de greve” afetou os negócios.
Errado: A Caixa está responsabilizando seus trabalhadores! Cabe perguntar se a direção da empresa acredita mesmo nesse argumento ou se está apenas tentando justificar sua postura irresponsável no processo de negociação.
4 – Diz a Caixa: “A administração vem implantando ações com o objetivo de melhorar os resultados”
Não citou quais ações, certamente para a nota não ficar muito longa. Deve estar se referindo à redução do já insuficiente quadro de pessoal; à destituição aleatória de ocupantes de funções; à reestruturação que sobrecarrega empregados pelo acúmulo de funções; à pendenga de seu contencioso junto aos planos da FUNCEF; às mudanças no Saúde Caixa centradas em corte de direitos; à transferência à iniciativa privada de serviços e negócios com seguros, loterias e cartões.
5 – Por fim, diz a Caixa: “O Lucro líquido ficou abaixo do projetado”. Abaixo, neste caso, meros 41%! A Caixa não explicou a razão de tamanho equívoco. Quem sabe em uma nova edição da nota, não é mesmo?
Fontes: Seeb Jundiaí com APCEF/SP, Seeb SP e Seeb DF.