Reforma da Previdência
“Essa conta não bate!”, afirma Movimento Intersindical sobre déficit da Previdência
Sindicatos e Associação dos Aposentados reuniram-se com deputado Miguel Haddad para debater Reforma imposta pelo governo Temer
O Movimento Intersindical Unificado de Jundiaí e Região manifestou sua posição contrária à Reforma da Previdência durante audiência com o deputado federal Miguel Haddad (PSDB), realizada no último sábado (18).
Formado por 15 sindicatos e a Associação dos Aposentados, o Movimento marcou o encontro para também conhecer a opinião de Miguel Haddad sobre a Reforma imposta pelo governo Temer e que já enfrenta oposição da maioria dos brasileiros. No último dia 15 de março, mais de um milhão de pessoas saíram às ruas do país em atos contra a reforma. Em Jundiaí, o Movimento Intersindical levou mais de mil pessoas às ruas do centro contra o desmonte da Previdência.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, Douglas Yamagata, abriu a reunião lembrando que a afirmação do governo de que a Previdência é deficitária é totalmente inconsistente. “Há uma questão tributária mal resolvida. O governo diz que há déficit, mas não estão contabilizando a contribuição do governo federal como receita da Previdência”, alerta Douglas. O sindicalista lembra que só em 2015 foram arrecadados mais de R$ 694 bilhões com tributos como Cofins, Pis/Pasep, , além das desonerações tributárias e a DRU (Desvinculação de Receitas da União). “Essa conta não bate!”, afirma Douglas.
Para Marcos Tebom, coordenador da Subsede da CUT, há 22 anos a Previdência é superavitária. “Quem precisa pagar essa conta são as empresas que devem para a Previdência”. Tebom se refere às empresas públicas e privadas que devem mais de R$ 426 bilhões ao Regime Geral da Previdência. Na lista estão bancos como o Itaú, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Banco do Brasil. Todos com dívidas milionárias.
Entre as grandes empresas privadas estão a mineradora Vale e a JBS, da Friboi, que sozinha acumula mais de R$ 1,8 bilhões em dívidas, a segunda maior da lista.
Em ofício entregue ao deputado, o Movimento Intersindical pede que seja feita uma auditoria no caixa da Previdência e que se abra um amplo debate com a sociedade antes de qualquer alteração . De acordo com as lideranças sindicais, a reforma imposta pelo governo Temer vai aprofundar as desigualdades sociais. “Os trabalhadores de chão de fábrica, por exemplo, dificilmente conseguirão se aposentar aos 65 anos. Muitos são demitidos quando começam a envelhecer”, ressaltam. Para o Movimento, um dos piores pontos da reforma é a contribuição mínima de 49 anos. “Nesse meio século de contribuição a pessoa jamais poderá ficar desempregada. A reforma não considera a rotatividade da mão-de-obra e nem idade de entrada no mercado de trabalho. É uma concepção totalmente absurda”, afirmam.
Miguel Haddad disse que a reunião foi oportuna e trouxe informações que ele levará à sua bancada em Brasília. “Estou confortável com relação às propostas que o governo vem apresentando”, afirmou. Ele lembrou que o projeto da reforma já recebeu mais de 149 emendas e que algumas tendem a desfigurar a proposta. O deputado informou que o PSDB ainda não tem posição unânime sobre a votação da PEC 287. Segundo ele, a bancada se reúne nesta terça-feira (21) com o ministro Henrique Meireles para debater o projeto.
Ações contra a Reforma
O Movimento Intersindical Unificado, que tem realizado várias ações para orientar a população sobre a retirada de direitos, se reúne na próxima sexta-feira (24) no Sindicato dos Ceramistas. Entre as ações, o Movimento realizou o ato do dia 15, uma consulta popular, seminários, debates e também assembleias em portas de fábrica.
Entidades que participam do Movimento Intersindical Unificado de Jundiaí e Região
- Alimentícios
- Apeoesp
- Associação dos Aposentados
- Bancários
- Ceramistas
- Comércio
- Construção
- Gráficos
- Metalúrgicos
- Servidores de Itupeva
- Servidores de Jundiaí
- SinDAE
- Sinpro
- Sintra Cargas
- Subsede da CUT
- Transportes Rodoviários