O banco fica impedido de adquirir qualquer outra instituição financeira por 30 meses a partir da assinatura do acordo
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, com restrições, a aquisição de 100% do capital do HSBC Brasil pelo Bradesco. A operação, contudo, fica condicionada à celebração de um acordo em controle de concentrações (ACC) que inclui melhorias nos indicadores de portabilidade de conta-salário, operações de crédito e qualidade. Além disso, o banco fica impedido de adquirir qualquer outra instituição financeira por 30 meses a partir da assinatura do acordo. A operação foi aprovada por unanimidade.
Com a aprovação, o Bradesco iniciará a negociação de preços com o HSBC. No início da operação, o valor anunciado era de R$ 5,2 bilhões mas, durante o processo, o patrimônio do HSBC caiu de R$ 11,2 bilhões para R$ 9,5 bilhões.
O Bradesco também teria que isentar instituições menores dos custos de portabilidade para contratos de crédito de clientes pessoa física que desejem mudar de banco em cidades onde há elevado risco de poder de mercado. Segundo o relator, o conselheiro João Paulo de Resende, essa é uma forma de diminuir o alto grau de concentração do setor. Um levantamento feito pelo Cade identificou que há esse risco em 106 dos 526 municípios em que o HSBC possui operação.
No início de abril, a Superintendência-Geral (SG) do Cade já havia recomendado ao tribunal a aprovação do negócio, condicionada a celebração de um ACC com o intuito de melhorar problemas identificados no setor, como baixa portabilidade e elevados índices de reclamação. O acordo, acatado pelo relator, se dispões em quatro eixos: Comunicação e transparência, Treinamentos, Indicadores de qualidade e Compliance.
LUTA CONTRA AS DEMISSÕES
Os diretores do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região participaram nesta semana do “Encontro Nacional dos Funcionários de Bancos Privados”, onde a pauta sobre o emprego foi amplamente debatida. Estiveram presentes no evento o presidente do Sindicato, Douglas Yamagata, além dos diretores Anderson Zanon, Valdir Pereira, Elvis Bartholomeu e João Chinelato.
“É importante que ampliemos nossa luta pela manutenção do emprego tanto dos funcionários do Bradesco, quanto do HSBC. Além disso, devemos lutar também pela manutenção das conquistas específicas dos funcionários do HSBC, como a bolsa-educação, o parcelamento de férias e planos de saúde. Temos de estar unidos, pois numa incorporação qualquer funcionário fica mais vulnerável às demissões e perdas de direitos.” – ressalta Douglas Yamagata, presidente do Sindicato e funcionário do Bradesco.
CADE NEGA GARANTIA DE EMPREGOS
O Sindicato dos Bancários de Curitiba pediu ao Cade que colocasse no acordo dispositivos que impedissem a demissão de funcionários. O pleito, contudo, não foi acatado pelo relator, o conselheiro João Paulo de Resende. Segundo ele, esse tipo de cláusula teria que ser proposta pelas próprias empresas na apresentação do ACC e não ser uma imposição do Cade: “A preservação de emprego embora tenha mérito e valor, não se qualifica como garantia de eficiência para a operação. Ainda que outros acordos tenham contemplado esse tipo de cláusula, entendo que só seria possível caso houvesse uma apresentação de livre e espontânea vontade por parte das requerentes. Não foi o presente caso e não achei portanto que seria o caso de incluir essa medida sacrificando outras questões.”
Fonte: Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, com informações da Contraf/CUT.