Tarifas cobradas pelos bancos sobem até 169% em dois anos

Na hora de cobrar tarifas dos clientes, juros em empréstimos, cheque especial, cartão de crédito, os bancos não economizam nos números. Mas na hora de pagar seus funcionários… 

De acordo com a associação de consumidores Proteste, as tarifas cobradas pelos oito maiores bancos do país entre 2013 e 2015 cresceram até 169%. O percentual é 8,6 vezes superior à inflação para o mesmo período.

Mais que isso, o aumento para as tarifas foi 9,83 vezes maior que os 17,18% que reajustaram os salários dos bancários desde 2013. “Esse é somente mais um indicador dos muitos que comprovam: a proposta dos bancos, que quer impor perda de 4% para os bancários é uma vergonha, uma provocação que vai levar os trabalhadores à greve”, afirma a secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Maria da Silva.

“As tarifas são cobradas por serviços, eminentemente trabalho do bancário ou dos próprios clientes nos terminais eletrônicos, na internet, no celular. Essedado só reforça o que sempre dizemos: os bancos tiram muito dos trabalhadores e de toda a sociedade. Chega de ganância, exploração não tem perdão!”, ressalta.

Pesquisa
O levantamento da associação Proteste comparou as tarifas das cestas informadas nas tabelas de Banrisul, Banco do Brasil, Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú, Santander e da Caixa Federal. O maior aumento foi na cesta Exclusive Fácil (antiga Conta Fácil Bradesco Super) do Bradesco, que em 2013 custava R$ 23 mensais, e no próximo mês passará a custar R$ 61,90. O consumidor terá um custo anual de R$ 742,80, ou seja, R$ 466,80 a mais que em 2013.

Também foram encontrados pacotes de serviços com valores de até R$ 74 mensais, como o cobrado pelo Santander na cesta de serviço Van Gogh Max. O custo anual do pacote soma R$ 888.

Guerra de informação
A Folha Bancária que circula hoje na capital paulista reporta que instituições como Banco do Brasil e Caixa estão circulando materiais entre seus trabalhadores que procuram confundir as pessoas. Banco do Brasil informa que as negociações internas continuam, embora tenham sido interrompidas no último dia 18. Já a Caixa publicou material dizendo que o abono salarial oferecido pela federação de bancos significa aumento de salário. Porém, a verdade é que esse abono seria pago uma única vez.

Dia de Luta
Nesta terça-feira (29) em várias cidades, foi realizado mais um Dia Nacional de Lutas dos Bancários e Bancárias, para acumular forças em direção a uma greve consistente, que possa dobrar a direção dos bancos.

Irresponsabilidade

O comportamento das instituições, segundo denuncia a técnica responsável pela pesquisa, Renata Pedro, colabora para o aumento do endividamento pelo brasileiro, “vide a situação econômica difícil pela qual passamos no País”.

A especialista conta que, na maioria das vezes, o consumidor possui uma conta que não atende ao perfil dele – ou seja, faz com que tenha mais gastos -, um cartão atrelado a esta conta – o qual usa como extensão da renda -, e, fazendo uso desmedido dos dois, não consegue quitar as dívidas, entrando no crédito rotativo – de taxas extremamente maiores que as das tarifas bancárias. Assim, “acaba tudo uma imensa bola de neve” de dívidas.

“Nossa intenção é mostrar uma saída, dizer para ficar de olho aberto, pois o pago mensalmente para estas tarifas fazem falta no orçamento”, diz Renata, apontando para uma escolha consciente do perfil de conta, assim como as possibilidades de renegociação de dívidas.

Acesso à informação
No texto de divulgação dos dados, a Proteste lembra que os bancos têm obrigação de divulgar o valor de todas as tarifas e taxas cobradas, além de deixar claro quais serviços estão inclusos nos pacotes oferecidos.

“Às vezes, o consumidor nem percebe que está pagando uma quantia tão alta, que vai comprometendo as finanças dele. No fim do ano, ele tem um valor que faz muita falta no orçamento”, endossa a técnica responsável pelo estudo.

Campanha e atendimento
Ela ainda relembra os 62% de famílias atualmente endividadas no Brasil, das quais 77% estão nesta situação por conta dos juros rotativos do cartão de crédito para contar da campanha que a Proteste está encampando juntamente às autoridades (Câmara e Senado, principalmente), para estabelecer um teto para a cobrança. De acordo com Renata, “não existe regulamentação e os bancos cobram o que eles querem, com total autonomia”. “É o que estamos tentando limitar”, reforça, sobre esta campanha da associação de consumidores.

Outra ação que visa prevenir e remediar o endividamento entre os brasileiros destacada por Renata busca atuar diretamente nos consumidores, realizando atendimentos pessoais, nos quais as características de consumo, assim como o orçamento é avaliado juntamente com um representante da Proteste. “Qualquer pessoa que queira orientações, é só ligar para a gente, pois estamos tentando de todas as formas ajudar o consumidor”, garante.

Cartão de crédito
Outro levantamento divulgado ontem pelo Procon Assembleia aponta uma diferença de valores na cobrança de tarifas entre as sete maiores instituições bancárias de até 54,35%. De acordo com os dados, coletados junto ao Banco Central, os juros mensais do cartão de crédito rotativo são de 16,08% no Santander (maior percentual), enquanto na Caixa Econômica Federal são de 7,34%. A menor diferença nos percentuais é no crédito consignado para aposentados/beneficiários do INSS.

Nesse item, os maiores juros ficaram com o Banco do Brasil, com 2,13% ao mês, e os menores são praticados na CEF, com 2,02%. A variação média geral entre os 17 serviços pesquisados ficou em 21,42%. Os bancos pesquisados foram: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander, HSBC, Itaú e Banco Safra

Mais informações:
-Confira a lista de serviços dos bancos e os preços comparados pela Proteste no endereço:http://svmar.es/tarifasbancarias

-Para assinar a petição contra os juros rotativos cobrados pelos cartões de crédito, acesse:
http://svmar.es/protestejuros

-A análise e o acompanhamento das dívidas podem ser feitos no número: 0800 701 2838 FREE

-O levantamento do Procon Assembleia pode ser visto no:
http://svmar.es/taxacartaocredito 

 
Fonte: SEEB Jundiaí com Contraf e CUT Nacional

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