OIT estima desemprego urbano de 6,8% na América Latina em 2011

A taxa de desemprego urbano na América Latina em 2011 deve ficar em 6,8% da população economicamente ativa, informou nesta quinta-feira (12) a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Se confirmada, a marca será a mais baixa registrada pela instituição desde 1990, quando teve início a série histórica, com queda de 0,5 ponto percentual em relação a 2010.

“Significa que o número de desempregados urbanos registraria uma baixa de 700 mil pessoas em relação ao ano anterior (2010) e o desemprego afetaria em 2011 cerca de 15,4 milhões de homem e mulheres (na América Latina)”, aponta o relatório.

Até outubro de 2011, o Brasil registrava taxa de desemprego de 6,2%, menor que a de países como Argentina (7,3%), Chile (7,3%) e Colômbia (11,3%), mas atrás de outros como México (5,3%), Uruguai (6,1%) e Panamá (4,5%).

O documento diz que a queda da taxa de desemprego se explica pelo “impulso” da criação de vagas na maioria dos países da região, que se traduziu em um ligeiro aumento da taxa de ocupação – de 55,2% em 2010 para 55,7% em 2011.

A organização destaca que, no período, aumentou o número de trabalhadores assalariados, na comparação com aqueles sem vínculo empregatício (autônomos) nos países analisados, entre eles o Brasil. No Chile e na Colômbia, verificou-se movimento inverso.

Homens, mulheres e jovens
A taxa de desemprego urbano diminuiu na América Latina para os três segmentos em 2011, informa a OIT. O desemprego entre as mulheres, que era de 9% até outubro de 2010, caiu para 8,3% em igual período do ano passado. Entretanto, a taxa de desemprego feminino ainda equivale a 1,4 vez a dos homens, que atingiu 5,9% em outubro de 2011, ante 6,5% de 2010.

No Brasil, a taxa de desemprego entre mulheres caiu de 8,8% para 7,7% no período, enquanto a dos homens regrediu de 5,4% para 4,8%.

Já a taxa de desemprego urbano entre os jovens da região (14,9%) é três vezes superior à dos adultos (5%). No Brasil, a taxa de desemprego entre os jovens caiu de 16,7% para 15% na comparação entre outubro de 2010 e de 2011.

A organização informa que a taxa de participação dos jovens latino-americanos de 15 a 24 anos no mercado de trabalho vem diminuindo na maioria dos países da região. Era de 55,4% em 2000 e, ao final da década, estava em 53,5%. Isso reflete uma maior retenção desses jovens no sistema escolar, afirma a OIT.

De cada dez jovens latinoamericanos trabalhando, seis têm emprego informal, segundo o estudo. Além disso, um em cada três só encontra emprego no setor informal. Já entre os jovens que conseguiram vaga no setor formal, 37 de cada 100 não contam com seguridade social – são trabalhadores precários e mais vulneráveis aos ciclos econômicos.

Previsão para 2012
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que a América Latina começa 2012 imersa em um contexto internacional de elevada incerteza e volatilidade na economia por conta da crise que atinge os países desenvolvidos, em especial na Europa.

De acordo com a entidade, a região deve registrar crescimento médio de 4% neste ano, mas esse ritmo dependerá da evolução da economia mundial. Se confirmada esse previsão, porém, a América Latina deve fechar 2012 com taxa de desemprego de 6,8%, estável em relação a 2011.

Entretanto, a OIT aponta que existe o risco de a crise se aprofundar nos países desenvolvidos e gerar o “contágio” das economias latino-americanas, que sofreriam com a redução das remessas externas, queda do turismo e com a limitação do acesso ao crédito. A organização lembra que, ao longo de 2011, alguns países da região já registraram desaceleração do crescimento.

“Junto com o agravamento da crise está em risco o contágio dessa visão de políticas fiscais recessivas e de flexibilização do trabalho que já se aplicaram na América Latina durante outras crises e que levaram a um aprofundamento do déficit de trabalho decente na região”, diz o relatório.

Fonte: G1

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