Movimento sindical denuncia riscos e desrespeitos decorrentes de horário estendido no Itaú

Movimento sindical denuncia riscos e desrespeitos decorrentes de horário estendido no Itaú

Em negociação nesta quinta-feira 13, em São Paulo, os representantes dos bancários repudiram a decisão unilateral do Itaú de ampliar o horário de agências até às 20h. A medida vem sendo aplicada pelo banco desde 27 de agosto em estabelecimentos localizados em shoppings centers e corredores bancários de grandes cidades.

Para o movimento sindical, a alteração acarreta uma série de consequências negativas. Além de não atender às expectativas de clientes e usuários para melhoria da prestação de serviços por parte dos bancos, a prorrogação do horário de atendimento acarreta transtornos na vida particular dos bancários e, nas agências localizadas em corredores, ainda há o risco à segurança dos trabalhadores. “Algumas dessas unidades estão localizadas em áreas de risco, onde inclusive já foram registrados assaltos após o horário comercial”, explica Valdir Machado, diretor de Bancos Privados da FETEC-CUT/SP.

Ao ser questionado sobre a evolução da mudança, o Itaú disse que até o momento já são 66 agências em shoppings e 101 em corredores com horário estendido. O banco negou a informação de que seria 1,5 mil agências com o novo horário no Brasil. Segundo seus representantes, a intenção é prorrogar o horário de até 500 agências em todo o país.

Conforme o diretor de Bancos Privados da FETEC-CUT/SP, várias agências localizadas no interior do Estado de SP estão recebendo comunicados sobre a previsão de mudança de horário. “O aviso está provocando angústia entre os bancários, frente a dificuldades de adequação para dar continuidade aos estudos e ao convívio familiar”, relata o Machado.

Na negociação, os representantes sindicais ainda denunciaram a prática discriminatória, de atendimento exclusivo a clientes após 17h. O Itaú é uma concessão pública e como tal deve prestar serviços à sociedade sem diferenciações no atendimento. Discriminar não clientes é um flagrante desrespeito à Resolução 3.694 do Banco Central, a qual veda qualquer tipo de dificuldade mesmo na hipótese de oferecer atendimento alternativo ou eletrônico.

Além do repúdio e das denúncias de risco, a representação sindical lembrou que é de interesse do movimento sindical melhorar as condições de atendimento, por isso defendem a reivindicação para ampliação do horário de atendimento, para das 9h às 17h, com dois turnos de trabalho. A proposta que, há tempos, é objetivo de negociação com os bancos visa a criação de novos postos de trabalho, melhorar o atendimento a clientes e usuários, bem como as condições de trabalho da categoria. “Meramente ampliar o horário não resolve o problema. Há de se ampliar o número de postos de trabalho. Sem contar que toda e qualquer alteração deve ser negociada com os representantes dos trabalhadores”, salienta Machado.

Os representantes do Itaú ficaram de avaliar as denúncias e a retomar os diálogos após o término das negociações da Campanha Nacional dos Bancários atualmente em curso.


Lucimar Cruz Beraldo

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