FETEC/CUT-SP e sindicatos filiados repudiam autoritarismo do BB

FETEC/CUT-SP e sindicatos filiados repudiam autoritarismo do BB

bb_3001132 FETEC/CUT-SP e sindicatos filiados, reunidos nesta quarta-feira 30, repudiaram a decisão do Banco do Brasil, de implementar, unilateralmente, a nova estrutura de funções comissionadas de seis horas.

As regras do novo plano foram comunicadas ao movimento sindical na última segunda-feira 28, sem qualquer consulta ou negociação prévia com os representantes dos trabalhadores. Dentre as medidas que já começaram a ser implementadas, está a extinção de todas as funções comissionadas de 8 horas com redução salarial e a classificação automática de todos os gerentes e grande parte dos cargos de analistas e assessores para funções de confiança (FC).

Para esses funcionários, a jornada será mantida em 8 horas, mas o banco estabeleceu o prazo até a próxima segunda-feira para assinatura do termo de opção pela manutenção da função. Quem não assinar será automaticamente descomissionado. Para os demais cargos, dentre os quais os assistentes, o banco não exige o preenchimento de formulário para a manutenção da função. Mas, se esses trabalhadores optarem a qualquer tempo pela redução da jornada para seis horas, eles também sofrerão uma redução de sua remuneração bruta em 16%.

Para a FETEC/CUT-SP e sindicatos filiados, a imposição do novo plano pelo BB fere o princípio do diálogo entre as partes, em flagrante desrespeito aos trabalhadores que, neste momento, enfrentam uma série de questionamentos, sem saber quais podem ser os reflexos sobre seu futuro profissional.

Há tempos, o movimento sindical bancário luta pelo respeito à jornada de seis horas para toda a categoria, conforme prevê a legislação. Mas, ao longo dos anos, os bancos criaram uma série de subterfúgios para prorrogar a carga horária de seus empregados.

No BB, o respeito à jornada de seis horas sem redução salarial transformou-se em eixo de luta nas últimas Campanhas Nacionais até que, em 2012, o banco assumiu o compromisso de rever a situação. “Só que agora o banco o faz de maneira totalmente autoritária, sem levar em conta de que se tratam de medidas que mexem com a vida das pessoas. É uma prática que deverá ser amplamente denunciada pelas entidades sindicais”, antecipou Roberto Rodrigues, secretário geral da FETEC/CUT-SP.

Na avaliação preliminar das lideranças sindicais, o plano imposto pode esconder armadilhas, as quais só tendem ser descobertas ao longo do tempo. Por isso, a importância de os funcionários ficarem atentos às orientações dos sindicatos, os quais já estão convocando plenárias para aprofundar o debate. “As entidades sindicais têm o papel de apontar os problemas. Mas a construção de soluções deve ser conjunta entre sindicatos e trabalhadores”, sugeriu Antonio Sabóia, dirigente da FETEC/CUT-SP.

De acordo com Ernesto Izumi, integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), embora a decisão de aderir ou não ao termo de seis horas seja individual, a única maneira de enfrentar o autoristarismo do banco é por meio da atuação coletiva. “As entidades sindicais seguirão lutando por respeito aos trabalhadores. Por isso, a importância de os funcionários do BB seguirem juntos com os seus sindicatos nessa luta”.

Conforme Cláudio Luiz de Sousa, também integrante da CEBB, há muito o que se denunciar no Banco do Brasil. “A prática atual do BB tem sido a de competir com banco privado e ganhar dinheiro. Haja vista que a instituição ampliou as metas em 600%. Então, temos de seguir denunciando as metas abusivas, as práticas de assédio moral, os descomissionamentos irregulares e as pressões para vendas cada vez maiores sobre as gerências. Trata-se de uma campanha permanente de conscientização, a qual deve envolver todo o funcionalismo”, salientou o dirigente.

Além de repudiar a prática do BB, a FETEC/CUT-SP indica aos sindicatos a realização de plenárias com o funcionalismo para aprofundamento do debate, o qual deverá ser sistematizado para encaminhamentos em nova reunião da federação cutista com as entidades filiadas, a ser agendada para a próxima semana.

Lucimar Cruz Beraldo

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