Custo do trabalho é pequeno no Brasil

Com a mesma fonte de pesquisa usada pelo O Estado de S.Paulo em matéria sobre encargos trabalhistas, o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique, destacou que o custo de trabalho representa para as empresas no Brasil metade do que é a média mundial.

“O Brasil tem o mais baixo valor de encargos trabalhistas entre 34 países pesquisados pelo Departamento de Estatística do Trabalho dos EUA (BLS, sigla em inglês). Em dólares, a média brasileira é de US$ 2,70 a hora, enquanto a média das outras 33 nações avaliadas é de US$ 5,80 por hora”, afirma Artur. “Essa é a conclusão mais evidente trazida por um texto publicado pelo jornalO Estado de S. Paulo. Porém, essa informação, a mais clara de toda a reportagem, vinha apenas no penúltimo parágrafo”.

Na matéria, o jornal afirma que, segundo estudo compilado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) a partir de dados do BLS, o peso percentual dos custos com mão de obra na indústria de transformação brasileira é de 32,4%, contra a média de 21,4% dos demais. Artur, porém, destaca que não há maiores detalhes sobre quais são esses custos, portanto, faltam dados amplos sobre qual a base de comparação usada pela Fiesp.

“Mas, se esses números estiverem corretos, a diferença brasileira, em dólares, para os outros países, fica ainda mais espantosa. Imaginem: se a nossa carga é percentualmente maior, mas em valores monetários é tão menor, os proventos dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras são muito baixos em comparação com a média dos países industrializados”, explica.

Reparos – Artur coloca mais correções no texto do Estadão. “O jornal elenca como ‘encargos’ valores que, na verdade, são complemento salarial. O FGTS, a Previdência Pública e o 13º, citados na reportagem, retornam ao trabalhador – e ao mercado – na forma de poupança. Nem de longe são encargos”, diz.

Baseado em estudo preparado pela subseção do Dieese na CUT Nacional, tomando como base dados do mesmo Departamento de Estatística dos EUA, referentes a 2008, a diferença do custo de mão de obra é ainda mais gritante. Enquanto na Alemanha é de US$ 36,07 a hora e nos Estados Unidos de US$ 25,65; no Brasil é de US$ 6,93. “O recorte do Dieese não mistura alhos com bugalhos e concentra-se na questão salário, daí a diferença e, também, uma chave para compreender a própria contradição dos números divulgados pela Fiesp”.

“A conjunção desses fatores e dados só reforça a impressão de que os salários no Brasil ainda são baixos. Por serem reduzidos, acabam por exigir complementos como o FGTS e o 13º e, ainda assim, a média em dólar perde de longe para os países que a Fiesp usa como referência”, acrescenta. “E tudo a despeito de o real estar sobrevalorizado. Nem assim o valor do trabalho no Brasil chega a se aproximar da média internacional segundo o olhar BLS/Fiesp”.

Resistência – Artur finaliza com um recado para a “elite econômica”. “Há muito por fazer neste País e que não é retirando do trabalhador que chegaremos no ponto que queremos e desejamos: o índice Gini, usado para medir a concentração de renda, no Brasil atinge 0,56, perdendo apenas para Haiti, Bolívia e Tailândia num grupo de 14 países pesquisados. O Gini, utilizado pela ONU, é tão mais representativo de concentração de renda quanto mais próximo de um. Se a Fiesp quer cortar custos de seus associados botando o trabalhador como réu, enfrentará novamente nossa resistência”.

Fonte: CUT

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