CAMPANHA SALARIAL: Resoluções da Conferencia Nacional

Bancários lutam por aumento real de salário e mais valorização do piso

Os mais de 830 delegados que participam da 10ª Conferência Nacional dos Bancários aprovaram, neste domingo (29), os Eixos da Campanha Nacional 2008. O evento segue até a próxima terça-feira, dia 29, no Hotel Holiday Inn, em São Paulo.

Confira abaixo quais serão os Eixos da Campanha Nacional 2008

Valorização do piso – Aumento progressivo, em três anos, até atingir o piso do Dieese, atualmente estimado em R$ 2.074, sendo incorporado 50% da diferença entre o piso da categoria (R$ 921,49) e o piso do Dieese neste ano, 25%, em 2009, e outros, 25% em 2010. Desta forma, neste ano, o piso da categori a passaria a valer R$ 1.497,75 para escriturários, R$ 1.947,07 para caixas e tesoureiros, R$ 2.321,50 para primeiro comissionado e R$ 3.369,93 para gerente.

PCS para todos - Ficou definida a formulação de um plano de cargos e salários para todos os bancários que estão na empresa ou que vierem a ingressar no quadro de funcionários dos bancos. A proposta prevê 1% de reajuste a cada ano de trabalho. A cada cinco anos, esse reajuste será de 2%. O banco é obrigado a promover o bancário pelo menos um nível a cada cinco anos.

A proposta de PCS determina, ainda, que os bancos são obrigados a treinar o trabalhador para a nova função por no mínimo 60 dias. E quando houver uma nova vaga, o banco é obrigado a fazer um processo de seleção interna para preenchê-la. Para cada cargo e função o banco deve apresentar a grade curricular necessária e oferecer o curso aos trabalhadores dentro do expediente. Em caso de descomissionamento do bancário, a comissão será incorporada ao salário integralmente.

Fim das Metas Abusivas - Os bancários definiram querem interferir nas metas que estão na base da gestão do sistema financeiro. De acordo com a reivindicação, as metas passarão a ser definidas com o movimento sindical, a partir do local de trabalho - agências ou departamentos - e levando em consideração a região, o porte das agências, o número de funcionários, a base de clientes e o perfil econômico local. Devem ser obrigatoriamente coletivas e não individuais, considerando a região e número de clientes. Deve ocorrer a redução das metas quando houver a diminuição de trabalhadores.

O secretário geral da FETEC/CUT-SP, Pedro Sardi, ressalta que a remuneração variável está calcada na meta. “Temos que entrar nesse debate, fazer o enfrentamento. Não podemos negar essa realidade. Meta é gestão, é controle. A lógica coletiva tem que se sobrepor à lógica individual”, disse Sardi.

Contratação da Remuneração Total - A reivindicação contempla a distribuição de 5% da receita de prestação de serviços de forma igualitária entre todos os bancários. O pagamento deverá ser feito após a publicação do balanço trimestral. Além disso, 10% de toda a produção da agência deve ser distribuída entre os trabalhadores da unidade.

PLR - Conforme os delegados, a formulação de Participação nos Lucros e R esultados (PLR) que vem sendo utilizada está ultrapassada. No ano passado, vários bancos pagaram dois salários para os bancários e, ainda assim, não distribuíram 5% do lucro. O valor de dois salários é considerado insuficiente pela categoria porque a maioria dos funcionários dos grandes bancos já recebe esse valor. Diante desse cenário, os delegados aprovaram a proposta de que o banco que apresentar lucro paga três salários, mais R$ 3.500 de parcela adicional para todos, sem limitador, sem teto e sem compensação dos programas próprios.

Cesta Alimentação - Os delegados aprovaram que deve ser aplicado para o vale-refeição a correção da inflação dos alimentos, que acumulada nos últimos 12 meses está em torno de 16%. A cesta-alimentação reivindicada é de R$ 415, o mesmo valor do salário mínimo. Para o vale-refeição o valor ficaria em R$ 17 por dia.

Auxílio-Creche - O auxílio-creche/babá deve ter o mesmo valor do salário-mínimo (R$ 415) com ampliação da idade para 8 anos e 11 meses e comprovação anual dos gastos.

Índice – Os bancários aprovaram um índice de 13,23%, que representa 7,87% da inflação acumulada no período de setembro de 2008 a agosto de 2009, mais um aumento real de 5%.

Estratégia para campanha nacional 2008

No encerramento dos trabalhos deste domingo, dia 29, os delegados da 10ª Conferência Nacional dos Bancários aprovaram as estratégias que serão adotadas pela categoria nas negociaç ões com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban)

Conforme deliberado, o Comando Nacional se utilizará da mesma estratégia de negociação adotada no ano passado, que contempla mesa única com a Fenaban, dividido por mesas temática para otimizar e aprofundar os pontos da minuta. Concomitantemente, haverá negociação em mesas específicas por bancos.

Também foi aprovado o calendário inicial de ações dos bancários. No dia 12 de agosto, será lançada a Campanha Nacional de 2008, oficialmente. No dia 13 de agosto, o Comando Nacional dos Bancários se reunirá para elaborar as próximas atividades que integrarão o calendário da Campanha Nacional 2008. No mesmo dia será encaminhada a Minuta de Reivindicações dos Bancários para a Fenaban.

Bancários querem adicional de hora-extra de 125%

PCS para todos, metas, contratação da remuneração total, PLR, cesta alimentação e auxílio creche foram algumas das propostas encaminhadas pelo Encontro Nacional sobre Remuneração e apresentadas à plenária da conferência nacional neste domingo (29).

Por consenso, os delegados remeteram tais propostas para ser discutidas e levadas a votação na mesa de Eixo. No que se refere à hora-extra, os delegados aprovaram o adicional de 100% para 125%.

Previdência complementar para todos é bandeira de luta em 2008

Discutir o futuro dos trabalhadores do ramo financeiro é uma bandeira que está sendo posta como prioridade da Campanha Nacional 2008, seja na qualidade de vida ou na garantia de uma velhice estável. Nesse sentido, os delegados da 10ª Conferência Nacional dos Bancários aprovaram as propostas discutidas no encontro temático sobre Previdência Complementar, que aconteceu na sexta-feira (25).

Dentre as cláusulas que se destacam na minuta de reivindicações deste ano estão: o caráter universal do plano de beneficio, sendo oferecido obrigatoriamente para todos os empregados; a gestão participativa nos fundos de previdência; e a eleição de representantes nos órgãos dos fundos.

“Queremos discutir com os banqueiros a criação de um plano de previdência complementar comum a todos os bancários e com gestão participativa. Daí a importância de sentarmos, discutirmos e conhecermos a organização e o funcionamento dos diferentes modelos de previdências complementares implantados por bancos públicos e privados”, destacou Sérgio Godinho, diretor da FETEC/CUT-SP.

Bancários reafirmam defesa dos bancos públicos

Os delegados da 10ª Conferência Nacional dos Bancários aprovaram por unanimidade a defesa dos bancos públicos federais, estaduais e regionais. Diante disso, foi destacada a necessidade de retomar o debate sobre a regulamentação do Artigo 192 da Constituição Federal, tendo como premissa a importância e defesa dos bancos públicos em geral, respeitando a vocação dos bancos regionais e o envolvimento da sociedade neste debate.

Outra deliberação refere-se à necessidade de viabilizar e defender uma política de oferta de crédito para a produção de alimentos, como resposta à alta de preços nesse setor.

Na ocasião, também foi reafirmada a importância da luta da CUT no sentido de ratificar a Convenção 158 da OIT, sobretudo, nesse período onde os processos de fusões/incorporações no setor financeiros estão mais latentes. “Para garantirmos empregos e direitos precisamos alinhar nossos discursos, trazer a sociedade para a discussão e garantir a ratificação da 158”, comenta a diretora da FETEC/CUT-SP, Adriana Pizarro Carnelós Vicente.

As resoluções da conferência deverão ser encaminhadas aos governos estaduais que possuem bancos públicos, bem como ao governo federal, com o intuito de demonstrar a defesa dos bancos públicos federais, estaduais e regionais.

28 de agosto – No Dia Nacional do Bancário, os sindicatos de todo o país vão desenvolver um dia de luta, com atividades voltadas para a defesa dos empregos e direitos de todos os trabalhadores. A proposta tem como objetivo dar evidência as ameaças que um processo de incorporação/fusão traz para os seus trabalhadores bancários

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