Bradesco condenado por assedio moral

Bradesco condenado por assedio moral

Laudo médico aponta que gerente apresentava transtorno, desmotivação, dependência de drogas, agressão, cinismo, afastamento, perda de sono, sentimento de incompetência, insatisfação e infelicidade

São Paulo – O Bradesco foi condenado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 24ª Região por assedio moral contra um gerente que perdeu a carteira de clientes. O bancário foi vítima de retalhações por parte da direção do banco que o levaram a desenvolver problemas de saúde.

Após perder a carteira, o gerente teve o local de trabalho alterado várias vezes, deixou de receber funções, devia sair da sala de reuniões, teve o nome retirado da planilha de avaliação, não tinha meta individual e não era gestor de nenhum produto. Com isso, passou a ser motivo de chacotas, perdeu contato social, foi excluído de festas e preterido por outros funcionários menos experientes.

As consequências para a saúde foram devastadoras. O laudo pericial demonstrou que ele passou a apresentar transtorno ansioso e diversos sinais depressivos como desmotivação, dependência de drogas, agressão, cinismo, afastamento de outras pessoas, perda de sono, sentimento de incompetência, com insatisfação e infelicidade com o trabalho.

Segundo o relator do processo no TRT, desembargador André Luís Moraes de Oliveira, o assedio moral ficou evidenciado pelo conjunto de atos comprovadamente hostis contra o trabalhador. Ele qualificou como terror psicológico as práticas contínuas de superiores e colegas de ostensiva perseguição que provocam danos físicos, psíquicos, morais e existenciais.

O gerente já havia ganho na 1ª Vara do Trabalho de Campo Grande (MS) e o banco ainda pode recorrer.

Danos morais e materiais – A Justiça entendeu que a prática do Bradesco foi passível de reparos morais e materiais. Pelo primeiro, bancário receberá R$ 150 mil, correspondente a cerca de 30 salários. Pelo segundo, pensão correspondente ao salário que ganhava quando adoeceu e ficou inabilitado para o serviço, corrigido anualmente pelo índice conquistadado pela categoria, enquanto houver enfermidade ou até 75 anos.

Redação, com informações do JusBrasil – 5/6/2012

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