BB tem novo presidente

 

Laryssa Borges
Direto de Brasília

O atual presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, deixará o cargo, por decisão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Lula confirmou a informação na manhã desta quarta-feira, em Brasília.

Lula não justificou a saída de Lima Neto da instituição e disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já conversou com o executivo e explicará a decisão. O pronunciamento de Mantega está marcado para acontecer às 13h desta quarta.

“(A demissão) é uma questão do ministro da Fazenda e soube que o Guido Mantega convocou uma coletiva para explicar qual é a razão (da saída do cargo). A informação que eu recebi é que ele tinha saído”, disse o presidente Lula ao deixar o Encontro Nacional de Comunicadores.

Lula não apontou diretamente os altos juros da instituição financeira como a razão da demissão, mas lembrou que a redução do spread bancário (diferença entre a taxa de juros que o banco capta recursos e a taxa que ele cobra de seus clientes para emprestá-lo) se tornou uma verdadeira “obsessão” para o governo.

Na pesquisa sobre taxas de juros elaborada pelo Banco Central, o Banco do Brasil aparece em todas as modalidades de crédito com taxas mais altas que a Caixa Econômica Federal, outra instituição estatal.

“Não foi só juros, havia outras questões que justificam a decisão”, disse uma fonte, referindo-se ao patamar de juros cobrado pelo banco que teria gerado a insatisfação do governo num momento em que se tenta reduzir os spreads bancários no País.

Segundo a fonte, a demissão já era discutida há mais de 15 dias.

O presidente disse também que não indicou o nome do sucessor, mas passou o recado de que os bancos precisam reduzir o spread. “A redução do spread bancário é uma obsessão minha. O spread precisa voltar à normalidade no País. Não há nenhuma necessidade para que o spread bancário tenha subido tanto de julho para cá. O Banco Central e a Fazenda estão discutindo isso”, afirmou.

Na última pesquisa sobre juros feita pelo Banco Central, divulgada no final de março, a diferença entre a taxa que o banco capta o dinheiro e a taxa que ele cobra dos clientes pessoa física era de 41,5 pontos percentuais. O spread para empréstimo a pessoa jurídica (empresas) era de 18,9 pontos. O spread médio no Brasil estava em 29,7 pontos.

Durante a passagem de Lima Neto pela presidência do banco estatal, que começou em dezembro de 2006, o Banco do Brasil comprou a Nossa Caixa. A transação, fechada em novembro do ano passado, custou R$ 5,3 bilhões ao BB. A instituição financeira é atualmente a segunda maior do País, em total de ativos, atrás do Itaú Unibanco.


 

 

Lula: BB e Caixa sabem de “minha obsessão” por spread menor

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Reuters   
08 /04 / 2009

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que a redução do spread cobrado pelos bancos em empréstimos ao consumidor é uma “obsessão” para ele e que os bancos públicos devem atuar para forçar a redução da taxa.

As declarações foram dadas em meio a perguntas sobre os motivos que levaram à saída do presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, anunciada nesta quarta-feira.

“A redução do spread bancário neste momento é uma obsessão minha. Nós precisamos fazer o spread bancário voltar à normalidade no país”, disse o presidente a jornalistas após compromisso.

“Nós precisamos fazer o spread bancário voltar à normalidade no país… O (ministro da Fazenda) Guido (Mantega) sabe disso, o Banco do Brasil sabe disso, a Caixa Econômica sabe disso, o Banco Central sabe disso. Não há nenhuma necessidade de o spread bancário ter subido tanto no Brasil de julho para cá”, acrescentou.

O patamar de juros cobrado pelo BB teria gerado insatisfação do governo e sido um dos motivos para a saída de Lima Neto.

“Nós estamos numa fase em que o BC e a Fazenda estão estudando isso e obviamente que quem tem bancos públicos como tem o Brasil pode através dos bancos públicos começar essa tarefa de reduzir as taxas dos spreads bancários.”

(Reportagem de Fernando Exman)

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