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BB: O Banco que era do Brasil

Opinião

 

BB: O Banco que era do Brasil

 

     Antigamente passar em um concurso público e trabalhar no BB era motivo de muito orgulho e status social.

      Hoje a realidade é absolutamente ao contrário. O que vemos é um banco que incorporou  a filosofia do mercado bancário de uma maneira tão perversa que chega a superar as mazelas e as deficiências dos concorrentes privados.

     A política do banco para atendimento de clientes e população  é completamente desumana, pois insiste na lógica do uso da tecnologia expulsando as pessoas de dentro das agências. Essa prática gera sofrimento não só os clientes, mas também dos empregados, já que são obrigados a trabalhar em condições precárias, sem tempo sequer de tomar água ou mesmo de ir ao banheiro. Isso acontece principalmente com os raros caixas, uma vez que na maioria das agências o banco opera com um ou dois funcionários apenas. Muitas agências estão funcionando sem condições mínimas de trabalho, pois além de faltar material, não há manutenção do imóvel, em muitos casos colocando em risco a integridade física de clientes e funcionários. Muitas agências não têm acessibilidade para deficientes físicos e chegam ao extremo de manter o único caixa da agência em piso superior, como é o caso da agência de Caieiras, na grande São Paulo.

       A lógica de mercado encampada pelo BB supera em muito aquela empregada pelos seus concorrentes privados, tendo em vista que as condições de trabalho nestes na maioria das vezes chegam a ser melhores. Veja-se como exemplo o número de caixas dos seus dois grandes concorrentes!

       No âmbito de Recursos Humanos a situação também é muito ruim. Muitos benefícios e direitos foram reduzidos ou mesmo extintos na era Collor e FHC, o que faz com que muitos trabalhadores recebam salários iguais aos dos colegas de bancos privados. Mas nesta questão a perversidade chega a superar a prática dos concorrentes. Vejamos o exemplo dos comissionados: Nos bancos privados o comissionado é avaliado pelo trabalho e, no caso de não corresponder às expectativas do banco, é demitido. Isso é muito ruim, é claro, mas é lógica do tal mercado. Já no BB o empregado é alçado à função de comissionado e permanece nela

enquanto satisfizer aos interesses, não apenas do banco, mas principalmente de seu superior hierárquico. Caso não corresponda às expectativas do chefe, volta à carreira inicial, o que o coloca numa situação financeira no mínimo insustentável. Esta prática, que podemos intitular de “é dando que se recebe” gera todo um processo de promiscuidade nunca antes viso. Em virtude disso o Assédio Moral está transformando as agências do banco em verdadeiros calabouços dos horrores, já que aquele que quer cargo se mata para consegui-lo e aquele que já o tem precisa vender a alma para mantê-lo.

          Enquanto a propaganda do BB insiste em vender a imagem de que o banco é do povo brasileiro, chegando mesmo ao cúmulo de atribuir nomes de pessoas ao banco, a realidade no  cotidiano  é completamente diferente.

        Há um dito popular que  diz que “ a propaganda é a alma do negócio” e, pelo visto, a direção do BB tomou isso ao pé da letra e se esqueceu de cuidar do corpo.

 

 

Álvaro Pires da Silva é Secretário Geral do Sindicato dos B

 

ancários de  Jundiaí e funcionário do Banco Nossa Caixa

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