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Bancos lançam estratégias para abertura de contas e aumentar bancarização

As instituições financeiras estão se valendo de várias estratégias para atrair as classes menos favorecidas. Os números mostram que os bancos estão no caminho certo: no ano passado, os brasileiros contabilizavam 134 milhões de contas correntes e de poupança, um salto de 19% sobre o ano anterior. 

Em 2009, foram 47,6 bilhões de transações, um terço disso pelos terminais de autoatendimento e 20% pela internet. Nas agências, apenas 9%, e nos correspondentes bancários, como agências dos Correios, 6%, segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). 

Além dos números, as ações mostram os bons resultados. No final de março, por exemplo, a Febraban lançou portal na internet para dar informações e prestar serviços à população por meio de “dicas”. Os investimentos somaram R$ 7 milhões. 

Para o presidente da entidade, Fábio Barbosa, “o aumento da renda levou à bancarização e essas pessoas que começaram a se relacionar com os bancos têm pouco conhecimento”. Segundo dados da Febraban, o número de clientes bancários registrou acréscimo da ordem de 70% em dez anos, alcançando 80 milhões de pessoas. Em comparação ao crédito, volume bateu em R$ 1,4 trilhão. 

Barbosa entende que “o crédito é um fator de inclusão social. É preciso trazer informação para que isso seja bem feito, evitando o superendividamento. Ele é alavancador do desenvolvimento, desde que bem utilizado”.

“A formação de investidores sempre foi mais focada nos clientes A/B através, por exemplo, de assessoria financeira, telefone, e eventos com palestras. Hoje, os bancos estão focando também outros nichos da população”, emenda Silvana Machado, vice-presidente da consultoria americana AT Kearney, especialista na área de finanças, que vê com bons olhos os avanços em direção à educação financeira disponibilizada pelas instituições financeiras. Segundo ela, recentemente, os bancos têm trabalhado oferecendo cursos para jovens universitários “pois são os investidores do futuro”. 

“Se juntarmos os correspondentes bancários, celulares e serviços financeiros, temos uma estratégia forte de inclusão ao sistema bancário”, sugere do professor Lauro Gonzales, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

Relatório anual 2009 da Mobile Money for Unbanked (MMU), criado pela Associação GSM - entidade global que representa cerca de 800 operadoras de telefonia móvel em 218 países e territórios - com apoio da Fundação Gates e do Banco Mundial, aponta que nos países emergentes cerca de 1 bilhão de pessoas têm celular, mas não são correntistas de um banco. 

A meta do programa, que abrange operadoras móveis de países em desenvolvimento, bancos, instituições de microcrédito, governos, agências de desenvolvimento e o setor privado, é promover a bancarização da população de baixa renda por meio do banco móvel. A previsão é atender, até 2012, 20 milhões de “desbancarizados”, especialmente pessoas com rendimentos inferiores a US$ 2 por dia.

O Programa MMU informa que existem cerca de 120 iniciativas de operadoras móveis ao redor do mundo relacionadas a projetos de bancarização para a população de baixa renda. Uma das experiências mais bem-sucedidas é o serviço M-Pesa, da Safaricom, no Quênia, que possui mais de 6 milhões de usuários e responde por mais de 4% da receita total da operadora.


Fonte: Valor Econômico

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