Banco Gerador compra marca do falido Banorte

Pouco depois de completar um ano de sua fundação, o Banco Gerador, com sede em Pernambuco, anunciou ontem a aquisição das marcas ligadas ao Banorte, instituição financeira pernambucana que está em processo de liquidação no Banco Central desde 1996. Com a estratégia de expansão voltada quase que exclusivamente para as regiões Norte e Nordeste, onde o Banorte atuava, o Gerador espera que a utilização da marca possa alavancar a venda de produtos financeiros, como cartões de crédito e CDBs.
O sócio e diretor-presidente do Gerador, Paulo Dalla Nora, afirma que duas pesquisas realizadas pelo banco apontaram que o Banorte ainda está “muito vivo” na cabeça da população local. “O Banorte foi o oitavo banco mais citado em respostas espontâneas”, revelou o executivo. Segundo ele, a percepção do público é resultado do grosso investimento realizado pelo Banorte durante as cinco décadas em que operou. “Foram mais de US$ 150 milhões investidos na marca”, informou Dalla Nora.
O executivo disse que a marca Banorte será utilizada apenas no lançamento de produtos financeiros, não havendo possibilidade de troca do nome do Banco Gerador. Em um primeiro momento, a ideia é confeccionar um cartão de crédito Banorte voltado a pequenos comerciantes do interior do Nordeste. Mais tarde, informou o executivo, poderão ser lançados CDBs e outros produtos financeiros com a marca.
A transação estava sendo negociada há cerca de quatro meses com a Unicard, braço do Itaú Unibanco para o segmento de cartões. O Banorte foi comprado em 1996 pelo Banco Bandeirantes, este último adquirido pelo Unibanco, em 2000. Por razões contratuais, o valor do negócio não pôde ser divulgado. 
Além da marca do banco, a transação incluiu as marcas Banorte Seguradora e Banorte Corretora de Valores Mobiliários, sinalizando uma intenção do Gerador de adentrar esses mercados. “Existe essa possibilidade no futuro. Mas, no momento, a intenção foi evitar que essas marcas desapareçam”, disse Dalla Nora. 
A compra da marca de um banco falido, que pode gerar certa estranheza em parte do mercado, tem tudo a ver com a estratégia do Gerador, segundo seu presidente. “O Banorte era um especialista em Norte e Nordeste, um banco regional de alta tecnologia, comprometido com o desenvolvimento local. Esse é o nosso negócio”, afirmou Dalla Nora. 
O plano principal do banco é expandir de forma acentuada as operações de crédito consignado, que respondem hoje por 70% da carteira total, cujo saldo marcava R$ 101 milhões em 31 de março. Outra aposta é o cartão de crédito consignado, em que o pagamento mínimo da fatura é descontado em folha de pagamento, o que permite a cobrança de juros menores. As classes C e D são o público-alvo. 
Para crescer, no entanto, o Gerador terá que ganhar musculatura. Atualmente em R$ 30 milhões, o capital social do banco será elevado para R$ 50 milhões até o final de junho, mediante aporte dos sócios atuais. Até o final de 2011, a ideia é elevar o capital para R$ 100 milhões, desta vez por meio da atração de sócios privados ou até mesmo de uma abertura de capital.

Fonte: Valor Online

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