Bancários pedem esclarecimento sobre parceria da Febraban com a PM

Os bancários e os vigilantes foram surpreendidos na semana passada com o anúncio da Febraban a cerca de uma parceria com a Polícia Militar para coibir assaltos, saidinha de banco, sequestros de gerentes e roubo de caixas eletrônicos.

Segundo a Febraban, em notícia publicada no jornal A Tarde, a operação reuniu no primeiro dia, 25/5, 32 policiais do Comando de Policiamento da Capital (CPC) e agentes da PM que já atuam nos bairros, e visitou 208 agências em São Paulo. Os PMs, diz nota no site, “realizaram patrulhas no entorno dos bancos, nos estacionamentos e foram recebidos pelos gerentes e funcionários das agências”.

A atitude da entidade patronal foi encarada pelo movimento sindical como uma transferência de responsabilidade para o setor público, invés de obrigar que os próprios bancos zelem pela segurança de seus clientes, usuários e funcionários.

“Na mesma semana que a parceria foi anunciada, as entidades representantes dos trabalhadores entraram com um pedido de esclarecimento, para questionar as obrigações de cada setor em um assunto tão importante quanto a segurança”, informa Crislaine Bertazzi, secretária de Saúde da FETEC-CUT/SP. “Nós entendemos que essa atitude da Febraban é de se eximir da responsabilidade de garantir pessoal treinado e equipamentos que garantam a integridade de todos. Os bancos têm a capacidade e a obrigação de pagar para manter a segurança em suas unidades”.

Crislaine lembra que o assunto já havia sido discutido quando da audiência pública realizada na Câmara dos Vereadores em Bauru, no dia 7/4 deste ano. Naquela região, já havia sido detectada, em agências do Banco do Brasil, a presença da PM fazendo o serviço que seria de vigilantes. “Além de ser uma jogada para fugir da responsabilidade, a Febraban ainda colabora para piorar a segurança em outros pontos da cidade, que terá menos policiais patrulhando as ruas”.

Vigilantes cobram responsabilidade dos bancos – O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes (CNTV) e participante da Ccasp, José Boaventura Santos, também ataca a parceria. “É lamentável uma situação como essa, os responsáveis pela segurança nas agências são os bancos. O cidadão paga a polícia para protegê-lo e não para ficar a serviço dos bancos”, afirma o dirigente, destacando que em João Pessoa, na Paraíba, a adoção de medidas de segurança nas agências, como os biombos, conforme lei municipal, diminuiu em 90% os casos de “saidinha de banco”, segundo avaliação do Sindicato dos Bancários da Paraíba.

“A colocação de biombos, separando os caixas dos clientes, por exemplo, trouxe mais tranquilidade para todos os bancários, os clientes e os vigilantes que monitoram tudo por câmeras de segurança.”

Além disso, os dirigentes sindicais defendem a instalação das portas giratórias em todos os acessos destinados ao público, câmeras de vídeo para monitorar em tempo real os espaços de circulação de clientes dentro das unidades e nas calçadas e áreas de estacionamento, dentre outras medidas.

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