Aqui tem Assessoria Jurídica
24 de outubro de 2017
O assédio nosso de cada dia
25 de outubro de 2017

Na onda do conservadorismo que assola o país, Jundiaí vira manchete nacional por atos de censura e intolerância.

Se houvesse um ranking de cidades mais conservadoras do país, Jundiaí, infelizmente, estaria figurando entre as primeiras posições.

Políticos, fundamentalistas religiosos e grupos oportunistas usam o conservadorismo e a “moral” como cortina para alcançar um único objetivo: poder e dinheiro.

No dia 26 de setembro os vereadores de Jundiaí aprovaram projeto de lei que institui a ‘Escola sem Partido’, eliminando a discussão crítica de temas em sala de aula, sob uma falsa ‘ideia de neutralidade’ e proibindo o debate sobre a discussão de gênero e diversidade em sala de aula. Mas na realidade querem impor a visão de mundo deles, inclusive distorcendo e tentando relativizar fatos históricos, como a ditadura.

Para Douglas Yamagata, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, Jundiaí está no caminho do retrocesso “Estamos voltando à idade média, à idade das trevas, quando as pessoas não tinham nenhum direito de pensar’’.

 

Jundiaí na idade das trevas

Em meio à Semana da Diversidade Sexual, prefeito, Justiça, vereadores e fanáticos religiosos conduzem cidade ao retrocesso e autoritarismo.

  • Religiosos e prefeito se manifestam contra apresentação de peça ‘A princesa e a costureira’, com temática sobre a diversidade.
  • Juiz emite liminar censurando a peça ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’, com uma mulher trans no papel principal. No início de outubro, o Tribunal de Justiça reconheceu o ato como ditatorial e o revogou.
  • Vereadores aprovam o projeto ‘Escola sem partido’ de autoria do vereador Albino (PSB), que na ocasião desrespeitou centenas de professores presentes na sessão ao chama-los de ‘doutrinados’.
  • Vereadores aprovam emenda à Lei Orgânica do vereador Gastaldo (PTB) que proíbe a discussão de gênero em salas de aulas do município, sem qualquer diálogo com profissionais da Educação e especialistas da área.
  • Intolerância religiosa: Casa de Candomblé é incendiada no bairro Água Doce
  • Vereadores aprovam projeto do vereador Douglas Medeiros (PP) que preconiza a promoção do Método de Ovulação Billings na rede pública de saúde. Na realidade, ele quer impor sua visão religiosa à toda sociedade, ao conceber o ato apenas para reprodução, ignorando métodos contraceptivos (como pílula e camisinha) e todas as doenças sexualmente transmissíveis

Existe amor em Jundiaí? <3

Apesar da escalada de autoritarismo, grande parte da população é contra essa postura de ódio e intolerância e as manifestações nas redes e nas ruas tem promovido um debate acalorado. Em resposta ao prefeito, a população jundiaiense lotou o Complexo Fepasa para assistir a peça ‘A princesa e a costureira’.

Nosso Sindicato ouviu personalidades e lideranças de vários movimentos e chegou à conclusão de que há sim muita gente buscando promover a paz, o amor e o respeito à diversidade:

“O prefeito de Jundiaí e muitos vereadores têm estimulado esse discurso do medo e do preconceito, que se reflete em outras instâncias da vida cotidiana. Um grande problema é se informar apenas pelas redes sociais, através de “memes”, distorcendo a realidade. Infelizmente, a internet virou espaço em que muitos propagam ódio e mentiras”.

Paulo Malerba, diretor do Sindicato e doutorando em Ciências Políticas pela Unicamp

 

‘’O que acontece em Jundiaí tem acontecido em vários lugares do mundo e são ações que historicamente antecedem o fascismo. Nosso temor é que esse tipo de posição incentive a violência. Trata-se de um movimento de intolerância e de alguém que tem uma certa opinião sobre arte, religião, orientação sexual, cultura e comportamentos e que, de maneira ilegal e agressiva, tenta impor sua opinião a todos. Isso é fascismo. Mas a sociedade não pode se deixar levar. A sociedade tem que reagir a isso!’’

Eduardo Tadeu Pereira, doutor em Educação pela Unicamp

 

 “Ao defender a ‘família tradicional’, o prefeito Luiz Fernando exclui a população LGBT+. Essa não é uma postura apenas do cidadão Luiz Fernando, mas do prefeito municipal, eleito para governar a cidade para todos os seus habitantes e não para uma minoria.”

Flavio Gut, jornalista do site Oa (oajundiai.com.br)

 

‘’Com o empenho da classe empresarial e da elite conservadora em derrubar os governos coligados ao PT em todo país, os governos que representam essa classe foram se firmando. Em Jundiaí não foi diferente. Jundiaí é um polo industrial importante. O que importa aqui é produção, PIB. E com uma cultura que não estimula o debate, a reflexão e o conhecimento, o que favorece uma imediata adesão ao que é divulgado pela mídia. E tem um funcionamento provinciano. Pela escassez da autonomia, que só a reflexão e o debate trazem, Jundiaí acabou elegendo um governo ultra conservador. A câmara dos vereadores é a prova disso. O prefeito também. E todo conservadorismo, à mim, é fruto de alienação’’.

Rita Cerioni, doutora em psicologia clínica pela USP

 

Jundiaí nas manchetes do país

 

 

#eumoroemjundiAI-5

A equipe de jornalismo do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região criou a frase ‘eu moro em jundiAI-5’ associando o nome da cidade ao Ato Institucional número 5, que vigorou por uma década durante a ditadura militar e é, até agora, considerado o mais duro golpe na democracia. O decreto de 1964 deu poderes quase absolutos ao regime militar, suspendendo direitos civis e políticos e dando sinal verde para a prisão, tortura e morte de quem fosse contra o regime. Pesquisa recente mostra que mais de duas mil pessoas, entre camponeses, sindicalistas, jornalistas, líderes rurais e religiosos, padres, advogados, indígenas e ambientalistas, foram mortas durante a ditadura no Brasil.

Professores da cidade denunciam ataque ao ensino público com o projeto ‘Escola Sem Partido’

Professoras de Jundiaí contestam o 'Escola Sem Partido'

No jornal deste mês abordamos alguns projetos aprovados pela Câmara de Jundiaí, que trazem um imenso retrocesso para a cidade, como o projeto da 'escola sem partido’ que censura os professores, e o projeto da “ideologia de gênero” que fomenta a discriminação. Infelizmente, o que ocorre em Jundiaí vai se tornando referência na região. Por isso, destacamos aqui a fala de uma das muitas professoras que denunciaram o absurdo dos projetos durante votação do projeto na Câmara Municipal.

Posted by Bancários Jundiaí on Friday, October 20, 2017