Desmonte dos bancos públicos vai acabar com desenvolvimento social

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Michel Temer tem uma meta a cumprir e seu prazo é curto. A “fatura” que ele precisa pagar a empresários e banqueiros em troca do poder tem que ser quitada antes de sua derrocada. Na lista de afazeres do presidente postiço está entregar o país a empresas privadas, principalmente estrangeiras. São negociações homéricas, feitas a toque de caixa e que envolvem bilhões de dólares. Tudo, obviamente, feito sem o consentimento da sociedade brasileira, pois não houve discussão social sobre o tema.

No meio desse furacão, o Brasil está prestes a perder sua autonomia no pré-sal e a força dos bancos públicos, que, acima de tudo, são bancos economicamente viáveis e que atuam no desenvolvimento social do país.  “Em um país tão desigual como o nosso, é impossível a inclusão social e execução de políticas públicas sem a presença de bancos públicos”, afirma Paulo Mendonça, diretor do Sindicato e Funcionário da Caixa.

Não é reestruturação. É desmonte!

Paulão lembra que Caixa e o BB passam por um processo de desmonte com planos de dispensa de bancários e fechamento de unidades. O BNDES vê sua política de crédito para desenvolvimento do país comprometida por encarecimento na taxa de juros e fuga de recursos para o Tesouro. Quem trabalha no sistema bancário sabe que o BNDES foi importante também para as pequenas e médias empresas, com o Proger e o cartão BNDES, por exemplo.

Banco do Brasil – No final de 2016, o BB anunciou seu plano de reorganização, com o objetivo de fechar cerca de 379 agências e a conversão de outras 402 em postos de atendimento bancário. No balanço do primeiro trimestre deste ano, a redução em apenas três meses já chega a 563 agências. Os dados de 2017 também mostram o corte do quadro de funcionários em quase 10 mil bancários, que aderiram ao Programa Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI). A sobrecarga de trabalho é grande: no primeiro trimestre de 2016 cada funcionário de agência cuidava em média de 439 contas correntes e hoje atende 554.  Mais de 2100 colegas perderam as suas comissões e outros 1600 tiveram seu salário reduzido por assumirem outras funções. O banco se recusa a prorrogar o VCP destes quase 4 mil funcionários.

Caixa – A direção do banco anunciou o fechamento de até 120 agências e a retirada de direitos dos trabalhadores, como o modelo de custeio do Saúde Caixa. Dados doMinistério do Trabalho apontam que só no primeiro trimestre desse ano foram fechados 3.626 postos de trabalho no banco.

“Entre os programas sociais, o desmonte desses bancos vai prejudicar muito o crédito imobiliário para famílias de baixa renda, como o Minha Casa Minha Vida, operacionalizado pela Caixa; e o financiamento da agricultura familiar, responsável por produzir cerca de 70% do alimento consumido pelos brasileiros”, afirma Paulo Malerba, diretor do sindicato e funcionário do BB.