Banco do Brasil: abusos e riscos do PAQ

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Na região de Jundiaí, doze funcionários do caixa perderão a gratificação e precisarão de novos locais de trabalho

O ano de 2018 começou com novas e desagradáveis surpresas para os funcionários e funcionárias do Banco do Brasil. No dia 05 de janeiro o banco informou unilateralmente nova reestruturação, com corte de cargos, transferências e um plano de demissões voluntárias, chamado dissimuladamente de PAQ (Programa de Adequação de Quadros).

O BB pretende forçar a transferência de unidades para funcionários considerados em excesso que não o fizerem de maneira voluntária, o que torna mais grave ainda a postura autoritária desta diretoria. A nova reestruturação definiu que haverá incentivo para movimentação, mas não torna claro quais são. Desse modo, o clima de apreensão tomou conta das unidades. Na região de Jundiaí, doze funcionários perderão a gratificação e precisarão de novos locais de trabalho.Serão dez no PSO e dois em agência. As agências, como Jarinu e Francisco Morato, estão entre as mais prejudicadas com a redução de funcionários e ficam em situação dramática. Só para se ter uma ideia, a agência de Francosco Morato, uma das duas mais movimentadas da região, passa a ter apenas um caixa com um segundo no PAB Fórum.

O BB pretende estimular novas demissões justificando que é para “readequar o quadro”. Serão pagas indenizações para quem aderir ao PAQ conforme o tempo de casa. Esses valores variam entre oito e doze salários. O BB se utiliza da reforma trabalhista para realizar o chamado “desligamento consensual” e reduzir benefícios, com pagamento de 20% da multa de rescisão do FGTS; metade da indenização do aviso prévio; possibilidade de o funcionário sacar até 80% do valor depositado no FGTS, porém sem direito ao seguro-desemprego.

Outra consequência, baseada na reforma trabalhista, são os direitos perdidos. De acordo com o diretor do sindicato e funcionário BB, Paulo Malerba, quem aderir ao PAQ realiza a quitação dos direitos: “um outro problema grave é que a adesão a programas de demissão voluntária, conforme a nova reforma, impedirá o trabalhador e a trabalhadora de acionar a justiça cobrando direitos que foram sonegados. Por exemplo, se alguém fez hora-extra e não foi pago, trabalhou em desvio de função, dentre outras, não poderá reivindicar na justiça posteriormente. Inclusive não poderá realizar negociação na CCP (Comissão de Conciliação Prévia) ”, conclui.

Além dessas condições, o diretor do sindicato, Álvaro Pires, alerta para os riscos envolvidos a quem aderir: “Não há qualquer garantia para o funcionário e seus dependentes de manutenção do plano de saúde, bem como esses valores não terão reflexos sobre a Previ e Economus”.

O BB tem criado grande instabilidade e expectativas em razão dos escritórios digitais. Houve encerramento de várias carteiras nos últimos meses e diversos funcionários ficaram sem função. “Essa é uma forma de também pressionar o trabalhador a ceder às imposições do banco, seja para movimentação ou desligamento. É muito injusto”, diz Silvio Rodrigues, diretor do sindicato.

As medidas aceleram o  processo de esvaziamento do BB no mercado, com redução de sua participação em diversos setores e enfraquecimento de seu papel público, com prejuízos à sociedade e aos funcionários. Essa é a segunda rodada de reestruturações e programas de demissão em pouco mais de um ano. Membros do governo Temer não escondem suas intenções privatistas para as empresas públicas.

O Sindicato orienta ao bancário que se sentir pressionado ou  assediado, seja para pedir transferência ou aderir ao PAQ, ou que queira esclarecer dúvidas, deve contatar os diretores  do Sindicato pelo telefone (11) 4806-6650. O Sindicato continua atento e mobilizando os trabalhadores para enfrentar a situação. “O Sindicato considera que os programas de demissão voluntária, em sua maioria, foram prejudiciais aos funcionários que saíram, muitos dos quais se arrependeram. Desse modo, não se deve tomar medidas precipitadas”, finaliza Malerba.

fonte: Seeb Jundiaí

foto: divulgação