Artigo: Ato em defesa dos direitos sociais do povo brasileiro

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ATO EM DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS DO POVO BRASILEIRO DURANTE VIGÍLIA NO CENTRO DE JUNDIAÍ

Coreto da Catedral Nossa Senhora do Desterro, Jundiaí, em 12 de junho de 2017

Por Paulo Matsushita (Anfip – Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil)

 

Manifestação do representante do Movimento Sindical Unificado de Jundiaí e Região

O Movimento Sindical Unificado de Jundiaí e Região agradece à Cáritas Diocesana de Jundiaí, ao Conselho Diocesano de Jundiaí e à Pastoral Diocesana de Fé e Política pela sensibilidade de abrigar a discussão sobre a possibilidade de perda iminente de direitos sociais e pela generosidade de permitir que o Movimento Sindical esteja presente no Ato de hoje.

 

Com a sua mensagem de paz, de amor ao próximo, de fraternidade e de olhar atento aos mais fragilizados, aos mais pobres e necessitados, aos que sofrem, enfim, a Igreja ajuda-nos a refletir sobre o momento que estamos vivendo.

E do que se trata? O país vive uma conjunção fatídica de uma crise política de grande dimensão juntamente com aquela que já é considerada uma das maiores crises econômicas do Brasil republicano. E sobre essas duas crises paira a mais grave de todas: uma profunda crise de valores morais, na qual os cidadãos observam, atônitos, virem à tona os subterrâneos vergonhosos da atuação de homens públicos, movidos pelos seus interesses pessoais ou de grupos, inclusive enriquecimento ilícito, quando deveriam estar servindo ao bem estar da coletividade.

 

Quem deveria ser objeto de mais atenção e cuidado nesse momento de recessão econômica persistente, em que há quatorze milhões de pais e mães chefes de família vivendo o flagelo do desemprego, num país que já é estruturalmente pobre, injusto e desigual?

Pois o absurdo da situação política atual é que o Governo Temer enviou ao Congresso Nacional projetos legislativos de retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, que atingem duramente os trabalhadores e, em especial, os mais pobres e necessitados.

 

Além do mais, o Governo Temer, desaprovado por  mais de 90% da população, quer aprovar essas propostas amplamente rejeitadas pela população, conforme indicam as pesquisas, aliciando deputados e senadores por meio de emendas parlamentares, entre outras manobras, sendo que uma quantidade sem precedentes desses representantes políticos ou é réu em processos criminais ou são investigados pela Polícia Federal em inquéritos do Ministério Público.

 

A retirada de direitos trabalhistas ocorre por uma Lei já aprovada pelo Presidente Michel Temer, que possibilita a terceirização em qualquer função ou setor da empresa; e a perda de direitos do trabalhador pode se agravar, se for aprovado projeto de lei que desmonta totalmente a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas. Esse projeto de lei faz um triplo ataque aos trabalhadores e trabalhadoras: retirando direitos, fragilizando os Sindicatos e dificultando o acesso dos trabalhadores à Justiça do Trabalho.

 

Com relação à Previdência Social, o Governo Temer enviou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional que dificulta muito as condições para que os trabalhadores recebam a sua aposentadoria e, por via de consequência, com efeitos negativos também para as pensões. A proposta agride também os direitos das mulheres e dos idosos.

E tudo isso, reitere-se, num momento de grave crise econômica e de desemprego.

 

Não é estranho, portanto, que o Governo Temer faça manobras de todo o tipo para impor cortes de direitos sociais que afetam a vida dos assalariados,  com a rejeição de todos os Sindicatos de Trabalhadores e das Centrais Sindicais e que, paralelamente, todas as Confederações Empresariais venham publicando anúncios de página inteira nos jornais apoiando esses retrocessos na legislação protetiva do trabalho?

 

O que se exije, assim, é que os homens e as mulheres de bem desse país discutam não mecanismos de crescimento com exclusão, em benefício de poucos, que é o que se faz no Brasil há quinhentos anos, mas um projeto de país para todos os brasileiros.

 

Que os ensinamentos cristãos possam, pois, ajudar-nos a superar esse momento difícil e que os homens públicos tenham a humildade de dialogar com todos os setores sociais, para a superação de todas as crises simultâneas que nos assolam, a fim de que possamos, finalmente, trilhar o almejado caminho da paz com Justiça Social.