A cada hora, 503 mulheres são vítimas de violência no Brasil

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Agressões mais graves ocorrem dentro da casa das vítimas, em 43% dos casos, ante 39% nas ruas.

A cada hora, 503 mulheres acima de 16 anos foram agredidas em 2016 em nosso país. Isso representa um total de 4,4 milhões de casos, segundo dado divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

As principais vítimas (32%) são as negras, seguidas das pardas (31%). Mulheres brancas representam 25% dos casos.

Segundo dados do Instituto Datafolha, 29% das brasileiras relataram ter sofrido violência física ou verbal em 2016 – equivalente a 16 milhões de mulheres. A violência física e psicológica muitas vezes passa desapercebida pela nossa sociedade.

De acordo com a OMS, a violência psicológica é a espiral de todas as outras que ocorrem contra mulher, resultando, inclusive, em casos mais graves, como o feminicídio. Vale destacar que a violência não é uma questão de gênero e nem de classe social. Cada vez mais mulheres pertencentes a classes mais abastadas trazem à tona suas histórias, demonstrando o real cenário deste problema.

Em uma sociedade patriarcal, como a brasileira, fortemente marcada pela cultura de dominação e controle dos homens sobre os corpos e as vidas das mulheres,  o resultado é que esse tipo de violência se banaliza e naturaliza. Uma vez estabelecido o ciclo, a tendência é a violência se perpetuar – e se agravar.

Agressor, na maioria das vezes, é um conhecido

Em pesquisa de 2017, o Instituto Datafolha levantou que, entre as mulheres que sofreram violência, 52% se calaram. Apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% preferiram o auxílio da família.

E o agressor, na maior parte das vezes, é um conhecido (61% dos casos). Em 19% das vezes, eram companheiros atuais das vítimas e em 16% eram ex-companheiros.

As agressões mais graves ocorreram dentro da casa das vítimas, em 43% dos casos, ante 39% nas ruas.

Confira os números da violência contra a mulher no Brasil, no infográfico produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública:

A criação do Dia Internacional da Não-violência Contra a Mulher

No dia 25 de novembro de 1960, as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, foram brutalmente assassinadas pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. As três combatiam fortemente aquela ditadura e pagaram com a própria vida. Seus corpos foram encontrados no fundo de um precipício, estrangulados, com os ossos quebrados. As mortes repercutiram, causando grande comoção no país. Pouco tempo depois, o ditador foi assassinado.

Em 1999, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas instituiu 25 de novembro como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, em homenagem às “Mariposas”. Ou seja, durante um dia no ano, incitam-se reflexões sobre a situação de violência em que vive considerável parte das mulheres em todo o mundo.

Como denunciar.

A denúncia de violência doméstica pode ser feita em qualquer delegacia, com o registro de um boletim de ocorrência, ou pela Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), serviço da Secretaria de Políticas para asMulheres.

A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país.

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fontes: Exame, Revista Bula, O tempo, Pesquisa Datafolha

foto capa: Kapitalis.com/Tunisia